Após nove anos fechado, o Museu do Ipiranga reabriu suas portas ao público em 7 de setembro, justamente no bicentenário da independência do Brasil. O edifício histórico passou por reformas estruturais e teve sua área expositiva duplicada, permitindo a introdução de novas exposições, salas educativas e recursos para garantir acessibilidade, como rampas, elevadores e mapas táteis.
Durante a cerimônia de reinauguração, os ingressos foram reservados para 200 estudantes de escolas públicas, trabalhadores da obra e seus familiares. A partir do dia 8 de setembro, o museu foi aberto ao público em geral. Durante os próximos dois meses, até 6 de novembro, a visitação será gratuita mediante agendamento prévio na plataforma Sympla. Novos ingressos são disponibilizados toda sexta-feira, às 10h.
Fundado em 1895, o Museu do Ipiranga foi concebido no período imperial como um monumento para celebrar a emancipação política do país. Em 1963, tornou-se parte da Universidade de São Paulo (USP) e, em 1998, foi tombado pelo Iphan. É considerado o museu público mais antigo da cidade de São Paulo.
Devido a problemas estruturais que ameaçavam a segurança dos visitantes e funcionários, o museu foi fechado em agosto de 2013. O edifício sofria com infiltrações nos telhados, rachaduras nas paredes e forros danificados. "Assim como muitos edifícios públicos tombados, o museu não tinha recursos suficientes para manutenção regular. Portanto, foi necessário realizar uma intervenção significativa", explica a diretora Rosaria Ono em entrevista ao Jornal do Campus.
Antes do início das reformas, foram realizadas várias etapas de preparação, incluindo uma avaliação das fragilidades do ambiente e um concurso público de arquitetura para definir o projeto de reforma. As obras começaram em outubro de 2019 e foram concluídas em agosto de 2022. Os custos foram parcialmente cobertos pelo governo estadual e pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp), mas a maior parte do orçamento, cerca de R$ 235 milhões, veio da iniciativa privada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Contribuíram para a reforma instituições como o Instituto Itaú Cultural, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o Grupo EDP, do setor elétrico, cada um investindo R$ 12 milhões.

Além das mudanças estruturais, a organização institucional do Museu do Ipiranga também foi alterada. Anteriormente, o edifício abrigava a diretoria, a administração e o acervo do museu, o que limitava o espaço disponível para o público a apenas 12 salas. "Decidimos desocupar o edifício para realizar uma reforma adequada. Para isso, foi necessário realocar os funcionários e o acervo, distribuindo-os por sete imóveis próximos ao Ipiranga. O acervo foi catalogado, organizado e arquivado em cinco dessas propriedades", explica Rosaria.
O novo Museu do Ipiranga possui 48 salas abertas para visitação. Atualmente, conta com 11 exposições distintas que retratam a história do Brasil e de São Paulo, incluindo mostras sobre a memória do próprio museu. O objetivo é representar diferentes períodos históricos por meio de objetos materiais. O acervo do museu é composto por mais de três mil itens, como pinturas, esculturas, documentos, cartas, móveis, moedas e fotografias, todos produzidos e utilizados pela sociedade brasileira desde a primeira metade do século XX.
"Apresentamos objetos cotidianos que nem sempre estariam em museus tradicionais. Temos peças da classe dominante do período monárquico, mas nosso acervo também contempla a sociedade indígena e os operários, que têm uma importância significativa na história do país", reflete Rosaria.
Uma das exposições mais destacadas do Museu do Ipiranga é "Uma História do Brasil", tombada desde 1938. Essa exposição ocupa três espaços diferentes no edifício-monumento: o salão de entrada, as escadarias e o Hall Nobre no segundo andar. Ao percorrer esses ambientes, os visitantes podem apreciar esculturas e pinturas que retratam a formação do Brasil, incluindo a famosa obra "Independência ou Morte", de Pedro Américo. Essa pintura é a representação mais famosa do grito de independência proclamado por D. Pedro I às margens do rio Ipiranga.
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As outras 10 exposições são completamente novas e foram baseadas em pesquisas realizadas pela equipe de curadoria do museu, composta principalmente por professores da USP.
Com o intuito de atender melhor seu público principal, formado por estudantes do ensino fundamental e médio que visitam o museu em excursões escolares ou com a família, o Museu do Ipiranga possui uma equipe de educadores que colabora diretamente com a curadoria das exposições. "Nosso objetivo é aproximar os jovens do nosso acervo e ajudá-los a compreender as exposições", destaca Rosaria.
"Além disso, também oferecemos recursos educacionais para atender pessoas com deficiências físicas e intelectuais", acrescenta a diretora. "Introduzimos no museu ferramentas interativas, como QR codes e peças que podem ser ouvidas e tocadas, entre outros recursos".
A equipe de educadores do museu também é responsável por receber grupos escolares em uma nova sala chamada "educateca", que conta com recursos didáticos para introduzir os temas das exposições antes que os alunos acessem a área expositiva.
Antes da reabertura, o museu sediou uma solenidade no dia 6 de setembro, na qual estiveram presentes autoridades e patrocinadores. Políticos paulistas, como o ex-governador João Doria e o prefeito atual da capital, Ricardo Nunes, participaram do evento, assim como representantes do governo federal, incluindo o ministro do turismo, Alberto Gomes de Brito, e o secretário especial de cultura, Hélio Ferraz de Oliveira.
No entanto, o presidente Jair Bolsonaro não compareceu à cerimônia de reabertura. Conforme estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral, candidatos ao Executivo não podem inaugurar obras públicas às vésperas de eleições, sob pena de cassação da candidatura. Além disso, Bolsonaro já criticou duramente a Lei Federal de Incentivo à Cultura, principal fonte de financiamento para a reforma do Museu do Ipiranga.
Durante a semana do feriado da Independência, o espaço recebeu diversos artistas para shows e apresentações de grafite em comemoração à reabertura. Entre os dias 7 e 11 de setembro, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Duda Beat, Criolo, Gaby Amarantos, Juliette, Fafá de Belém e o maestro João Carlos Martins se apresentaram no Parque da Independência.

Endereço
Rua dos Patriotas, 20 – Ipiranga – São Paulo/SP – CEP 04207-030
Horário de funcionamento
Terça a domingo, das 11h às 17h.
Abertura em feriados de acordo com a programação.
Acesso controlado ao Mirante.
Como chegar
Bicicletas
- O Museu conta com diversas estruturas cicloviárias nas seguintes vias adjacentes, como na rua dos Patriotas, avenida Nazaré e avenida R. Ricardo Jafet. Para mais informações, consulte o mapa cicloviário da cidade de São Paulo no site da CET.
- Contamos com 36 vagas para bikes, distribuídas em 10 paraciclos próximos ao portão da rua Xavier de Almeida e outros 8, logo após a entrada da rua dos patriotas, 20. Cada paraciclo acomoda 2 bicicletas.
Estacionamento
- Nosso estacionamento ainda não está em funcionamento. Futuramente, teremos vagas para pessoas com deficiência (PcD) e idosos. O acesso encontra-se na Rua dos Patriotas, 100.
- PCD e idosos também podem utilizar a área de embarque e desembarque na Rua Xavier de Almeida (s/n).
Ônibus fretados
- Bolsão de estacionamento: Esquina das ruas Xavier Curado e Xavier de Almeida.
Transporte Público
- Ônibus: As seguintes linhas têm rotas que passam perto do Museu: 174M-10, 217, 4491-10, 476G-41, 477A-10, 478P-10, 5108-10, 874T-10.
- Metrô: A estação mais próxima do Museu é a “Alto do Ipiranga”, da Linha 2 (verde).
- CPTM: A estação mais próxima do Museu é a “Ipiranga”, da Linha 10 (turquesa).
Normas para as visitas
Alimentação
- O consumo de bebidas e alimentos é proibido nos espaços expositivos do Museu.
Porte de volumes
- O museu oferece um serviço de guarda-volumes gratuito. Solicitamos que evitem trazer grandes volumes, como malas e mochilas grandes, além de itens como guarda-chuva.
- Não é permitida a circulação nos espaços expositivos com bolsas e mochilas de grande porte, mochilas de grande porte e suportes para celulares e câmeras.
Fotos e filmagens
- No interior do Museu podem ser feitas fotos e filmagens em caráter particular ou acadêmico sem autorização prévia. Não são permitidos ensaios fotográficos (casamentos, aniversários etc), o uso de flash e acessórios como tripés e bastões para fotos.
- Na área exterior do Museu (esplanada, Jardim Francês e o bosque), fotos e filmagens em caráter particular, feitas com telefone celular, podem ser realizadas sem autorização.
- Já registros feitos com câmeras (modelos com lente única ou intercambiáveis), em caráter particular, podem ser feitas mediante o preenchimento de um formulário de autorização, que pode ser solicitado às equipes de segurança.
Equipamentos sonoros
- É proibido o uso de equipamentos sonoros nos ambientes do Museu e no jardim francês.
Entrada de animais
A entrada de animais no espaço interno do Museu é permitida somente nos seguintes casos:
– cães-guia para pessoas com deficiências visuais.
– animal de suporte emocional, mediante apresentação de laudo psiquiátrico.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
– Como consigo ingressos individuais?
É possível obter ingressos de duas formas: por meio de agendamento em nosso site (cotas liberadas às sextas-feiras, 10h, no botão “Adquira seu ingresso”) ou diretamente na bilheteria, com ingressos distribuídos de terça a domingo, a partir das 11h30, em intervalos de 1h. Na bilheteria, os ingressos são oferecidos somente para visitas no dia corrente. Caso o agendamento esteja esgotado, a oferta será feita somente na bilheteria, na qual cada pessoa pode retirar apenas uma unidade. Os ingressos da bilheteria são distribuídos por ordem de chegada e estão sujeitos à disponibilidade do horário: se o visitante não conseguir naquele momento, pode manter-se na fila para entrada no próximo horário
– Como consigo ingressos para grupos (escolares, turísticos, atendidos por ongs, particulares etc)?
O Museu do Ipiranga oferece um cadastro para grupos entre 10 e 40 pessoas. Caso o grupo seja maior, é necessário fazer mais de um cadastro (exemplo: um grupo com 60 pessoas precisa de um cadastro com 40 e outro com 20 pessoas). São aceitos grupos com as mais variadas configurações (estudantes, ongs, famílias e amigos, turistas etc). Para informações sobre como inscrever um grupo, clique no botão “Reservas de Grupos”, na página inicial de nosso site, abaixo da frase “Museu do Ipiranga: bem-vindo a uma nova história”. Grupos sem agendamento não poderão entrar no Museu.
– Crianças necessitam de ingresso?
Somente crianças com mais de 6 anos de idade necessitam de ingresso.
– Há atendimento prioritário na bilheteria?
Sim. Idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e obesos têm atendimento prioritário na bilheteria, com o direito a ingresso extra para um acompanhante.
– Pessoas com deficiência (PcD) têm direito garantido a ingressos?
Sim. Pessoas com deficiência visual, motora, intelectual ou auditiva, além de um acompanhante, contam com ingressos garantidos. Basta retirá-los na bilheteria, sem a necessidade de fazer reservas.
– É possível doar algum item ao acervo do Museu?
Sim. Envie uma foto e informações sobre o item para o e-mail acervos.museupaulista@usp.br. A oferta será analisada pela direção do Museu