O Mercadão da Lapa já é patrimôio do bairro e está prestes a completar 69 anos. Ainda remete muita à infância, do tempo em que se ia com a mãe fazer compras e a garotada fica vidrada na infinidade de doces vendidos a granel e das músicas que as lojas de discos tocavam sem parar, criando uma atmosfera que ainda hoje leva muita gente a sentir saudade desse tempo.
No dia 24 de agosto de 1954, foi inaugurado o Mercado Municipal da Lapa, atendendo à população do bairro, composta principalmente por imigrantes italianos que se estabeleceram lá no início do século XX. A construção do mercado foi possível graças à Lei Municipal 4.162, de 28 de dezembro de 1951, impulsionada pelo Vereador Ermano Marchetti, um conhecido morador do bairro.
No entanto, a inauguração foi ofuscada pelo falecimento do presidente da República, Getúlio Vargas, que cometeu suicídio no mesmo dia. Em respeito ao luto que tomou conta do país, o mercado fechou suas portas poucas horas depois de abrir.
Ao longo dos anos, o Mercado Municipal da Lapa atendeu principalmente clientes de origem europeia, que buscavam produtos provenientes do continente. Inicialmente, o mercado contava com apenas 40 boxes, a maioria deles proveniente de um mercadinho que existia na Rua Clélia. A previsão era de que o prédio comportasse 160 boxes como sua capacidade máxima. Projetado pelo engenheiro italiano José Vicente Vicari, o prédio triangular chamou a atenção de diversos engenheiros renomados da época.
Atualmente, o prédio é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e se tornou um dos pontos turísticos mais famosos do bairro da Lapa. Atraindo em média 5.000 pessoas diariamente, o mercado oferece uma grande variedade de produtos em seus 96 boxes.
Os produtos disponíveis nos boxes impressionam, com bebidas, queijos, ervas medicinais, temperos, grãos, conservas, frutos do mar, embutidos, carnes, aves, produtos de tabacaria, produtos para animais de estimação e muito mais.
Conhecido como "Mercadão da Lapa", o estabelecimento foi oficialmente batizado com o nome de um morador ilustre do bairro e de sua família. A família Rivetti se estabeleceu no bairro no final do século XIX e tornou-se conhecida no comércio local e na construção civil.
Rinaldo Rivetti, um dos membros da família, lutou por diversas melhorias no bairro, causas sociais e foi proprietário de um box desde o início do mercado. Sua atuação local levou o então prefeito Reynaldo de Barros a assinar o Decreto Municipal nº 17.807, alterando o nome do mercado para Mercado Municipal Rinaldo Rivetti.

Mercado na década de 1970. Foto: Oswaldo Jurno/Estadão