Itapetininga deu um importante passo na defesa dos direitos das mulheres ao participar, no último dia 7 de dezembro, da mobilização nacional “Mulheres Vivas”, organizada pelo INATRAM em parceria com a Rede ABRACE, e contando com o apoio ativo do CONSEG e do Núcleo de Dança Passinhos Retrô – Anos 80. O encontro aconteceu na Feira Livre e reuniu moradoras, ativistas, profissionais de diversas áreas e representantes da sociedade civil em uma ação que buscou dar visibilidade ao crescente número de feminicídios no país e às várias formas de violência — física, psicológica, sexual, moral e simbólica — que ainda vitimam milhares de brasileiras todos os anos.
Além de denunciar e sensibilizar, o ato reforçou a necessidade de fortalecer redes de proteção no município, ampliando a participação de toda a comunidade. A mobilização destacou ainda a importância do envolvimento dos homens nesse enfrentamento, não apenas como apoiadores, mas como agentes transformadores no combate à violência intrafamiliar.
A advogada Samira Albuquerque, fundadora do INATRAM e coordenadora jurídica da Rede ABRACE, lembrou que a instituição completou em outubro dez anos de atuação voluntária na defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, iniciativas conjuntas, mesmo quando pequenas, são fundamentais para mobilizar moradores e impulsionar novas articulações comunitárias.
A presidente do CONSEG, Claudia Meneguela, alertou para a gravidade do cenário atual, no qual a maior parte das violências contra mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e até mesmo animais acontece dentro das residências. Ela ressaltou a necessidade de união entre poder público, forças de segurança e sociedade civil, de modo a construir estratégias efetivas de prevenção e proteção.
A professora-mestra Paula Granato, da Fatec Itapetininga, trouxe reflexões profundas sobre a necessidade de transformar comportamentos violentos em relações saudáveis e respeitosas, defendendo a ampliação de espaços de diálogo e ações educativas permanentes.
O Núcleo de Dança Passinhos Retrô – Anos 80, coordenado por Adriana Almeida, também marcou presença com apresentações que encantaram crianças e adultos, reforçando como cultura, esporte e convivência comunitária são ferramentas essenciais na construção de cidades mais seguras, humanas e inclusivas. Durante o evento, as organizadoras dialogaram com visitantes, explicando o propósito da mobilização e reforçando que participar do ato é também assumir um compromisso diário com uma convivência mais gentil, justa e solidária.
Diversas mulheres da cidade apoiaram a iniciativa com sua presença e engajamento: Andrea Ferriello, criadora do canal Devaneios, que valoriza histórias femininas; a advogada Dra. Raíssa Brun, reconhecida pelo forte ativismo; e Gisely Stocco, idealizadora do Coletivo Leia, dedicado às Poéticas Verbais e à Cartografia Afetiva. A fisioterapeuta Dra. Cíntia Sanada e sua filha Sayurithan, também fisioterapeuta em formação, representaram o INATRAM e destacaram o projeto de consciência corporal desenvolvido em parceria com a Universidade do Sudoeste Paulista, voltado a mulheres que enfrentaram traumas decorrentes da violência.
A escritora e ativista Katia Baroni destacou a força da irmandade feminina como elemento indispensável no enfrentamento das violências, lembrando que muitas agressões permanecem invisíveis e exigem reconhecimento e enfrentamento integrado. Já a professora-mestra Thais Maria Souto Vieira, uma das fundadoras do coletivo Marias e Clarices, participou acompanhada do filho Sereno, simbolizando a importância da continuidade geracional na defesa dos direitos das mulheres.
A mobilização “Mulheres Vivas” mostrou que ações locais têm o poder de inspirar mudanças reais quando guiadas por solidariedade, engajamento e compromisso social. Mais do que denunciar as violências, os coletivos envolvidos trabalham para construir uma rede de apoio ativa, que acolhe, informa, previne e transforma. É assim que se protege vidas, se garantem direitos e se pavimenta um caminho para uma convivência mais justa, igualitária e humana em Itapetininga e em todo o país.
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