O mês de junho começa nesta segunda-feira (1/6) trazendo um cenário climático de contrastes para o Brasil. A previsão indica frio intenso nas regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, além de uma queda significativa nas temperaturas no Norte e redução das chuvas no Nordeste.
Este panorama reflete não apenas a proximidade do inverno — que começa oficialmente no dia 21 de junho, às 5h25 (horário de Brasília) —, mas também os primeiros sinais do fenômeno El Niño. Com chances de atingir uma intensidade entre "forte" e "muito forte" ainda em 2026, o fenômeno já acende o alerta para mudanças nos padrões climáticos do país.
De acordo com Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK, o comportamento típico para esta época do ano não deve se repetir devido ao aquecimento do Atlântico e à formação do El Niño no Oceano Pacífico.
"Normalmente, junho é seco e frio na maior parte do Brasil. É comum chover menos de 20 milímetros em estados como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Tocantins. Além disso, as mínimas costumam cair para menos de 10°C na Serra da Mantiqueira e na região Sul. No entanto, esse padrão será quebrado", explica o especialista.
O comportamento do clima por região
O especialista destaca que o mês será dividido em dois momentos: a primeira quinzena terá volumes mais expressivos de chuva concentrados no Sudeste, Centro-Oeste e no Paraná. Já na segunda metade do mês, a umidade muda de rota, concentrando-se no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, abrindo espaço para uma massa de ar seco e frio nas demais regiões.
Sul
O mês será marcado por uma divisão de volumes de chuva. O Paraná recebe os maiores acumulados nas primeiras duas semanas, enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul registram maiores índices na segunda quinzena, podendo chegar a 150 mm. Após o dia 15, o risco de declínio acentuado na temperatura e formação de geadas é alto.
Sudeste
A primeira quinzena terá chuva acima da média climatológica em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul de Minas Gerais. A partir da segunda metade do mês, o tempo fica mais seco e frio, com possibilidade de geada nas áreas paulistas.
Centro-Oeste
Seguindo o padrão do Sudeste, Mato Grosso do Sul, sudoeste de Goiás e oeste de Mato Grosso terão dias mais chuvosos nas duas primeiras semanas. Na sequência, o clima se torna seco e frio, com risco de geada nas cidades sul-mato-grossenses próximas à divisa com o Paraná.
Norte
O enfraquecimento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), motivado pelo El Niño, vai reduzir as chuvas em Roraima, Amazonas e Pará. Rondônia e Acre devem registrar episódios de friagem causados pelo avanço de massas de ar polar. Em contrapartida, o estado do Amazonas deve registrar calor acima do normal.
Nordeste
A perda de força da ZCIT também impactará a faixa costeira nordestina (da Bahia ao Maranhão), reduzindo as chuvas e mantendo as temperaturas elevadas. No interior da região, o clima segue o padrão esperado para a época: quente e seco.
O fator El Niño e o impacto a longo prazo
De acordo com o último relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), divulgado em 26 de maio, a probabilidade de consolidação do El Niño subiu para 82% entre maio e julho.
Embora o início do fenômeno seja de intensidade fraca a moderada em junho, o meteorologista Celso Filho alerta que os efeitos mais severos devem aparecer no segundo semestre. “Os maiores efeitos serão vistos a partir de setembro, com chuva excessiva na região Sul e calor muito acima do normal no Pantanal, o que contribui para as queimadas”, projeta.
Alerta ligado para a agricultura
O desenho climático de junho exige atenção redobrada dos produtores rurais. O aquecimento das águas do Pacífico coloca em risco o andamento de diversas culturas de inverno e atividades de colheita pelo país.
| Região / Estados | Impacto Esperado no Campo |
| PR, MS, SP e sul de MG | Chuvas acima da média podem prejudicar a colheita de cana-de-açúcar, café e milho. |
| Sul, Sudeste e Centro-Oeste | A alta umidade do solo eleva o risco de doenças nas lavouras de trigo. |
| Paraná e São Paulo / MS | Queda brusca de temperatura e geadas podem afetar o trigo (PR) e a cana-de-açúcar (SP/MS). |
| PB, PE e AL | A redução das chuvas deve agravar o déficit hídrico nas áreas de cana-de-açúcar. |
| Roraima | A baixa umidade do solo vai dificultar o desenvolvimento das pastagens e das culturas de arroz e soja. |
Jornal Metropolitano SP
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