Um “calor muito intenso” deve atingir vários estados brasileiros do Sul, Centro-Oeste e parte do Sudeste, nas próximas semanas. O alerta é do site MetSul Meteorologia. Segundo especialistas, as temperaturas podem passar de 40ºC e atingir marcas “muito acima da média histórica de dezembro”.
“A MetSul Meteorologia projeta para a metade deste mês o ingresso de ar muito quente nos estados do Centro-Sul do país, o que fará com que a temperatura dispare e alcance valores muito altos, inclusive ao redor dos 40ºC e acima dos 40ºC”, diz o alerta.
O calor intenso se deve a uma massa de ar muito quente que vai se instalar sobre o Norte da Argentina e o Paraguai e se expandir para o Centro-Oeste e o Sul do Brasil.
Centro-Oeste
Na região Centro-Oeste do país, como explica a MetSul, geralmente o período mais quente do ano acontece durante a primavera, no final da temporada seca, já que a ocorrência de chuva e maior presença de umidade entre dezembro e fevereiro costumam amenizar as temperaturas nesta época do ano.
Os estados da região, no entanto, devem registrar dias mais quentes, sobretudo no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, com temperaturas “mais comuns de se observar nos períodos mais quentes da primavera do que em dezembro”.
As máximas nos dois estados citados chegam à casa dos 40ºC. O interior de São Paulo, com características próximas aos estados do Centro-Oeste também deve ser atingido pelo calor intenso.
Sul
No Sul, a expectativa é que, em particular no Rio Grande do Sul, a temperatura suba a partir de sexta-feira. “A sexta e o próximo fim de semana devem ser muito quentes no estado gaúcho com noites de temperatura alta e tardes de excessivo calor”, diz o informe.
As máximas devem ficar entre 35ºC e 40ºC, com a possibilidade de alguns registros localizados acima de 40ºC.
A Grande Porto Alegre e os vales, por exemplo, podem anotar marcas de 37ºC a 39ºC em vários municípios com máximas localmente superiores.
Será uma incursão de ar muito quente que atingirá todo o Rio Grande do Sul e praticamente todo o Sul do Brasil. Mesmo localidades serranas, de maior altitude, devem ter calor excessivo no próximo fim de semana.
Ano mais quente da história
Segundo a MetSul, o ano de 2023 já é considerado o mais quente da história e o de maior temperatura global em 125 mil anos. São seis meses seguidos de recordes desde o início das medições modernas, com forte onda de calor no Brasil em novembro.
Novembro, aliás, foi ainda o mais quente já registrado em nível mundial, com uma temperatura média do ar à superfície de 14,22°C, ou 0,85°C acima da média para o mês, de 1991 a 2020, e 0,32°C acima da temperatura do novembro mais quente anterior, verificado em 2020.
A previsão é de que os termômetros se aproximem dos 40°C a partir da quinta-feira (14) em Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, sul do Mato Grosso, norte de São Paulo, grande parte de Minas Gerais, sul do Tocantins e oeste da Bahia.
A previsão é de que o calor se estenda por oito estados com as máximas mais altas no Centro-Oeste do país nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Segundo o Climatempo, ainda não há uma previsão de temperatura para todo os estados, mas as cidades de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e São Romão, no Mato Grosso devem superar os 40°C.
E o restante do país?
No restante do país, a previsão é de calor dentro da média. Faltam pouco mais de dez dias para o Verão, que começa em 22 de dezembro. Com isso, a Terra fica mais exposta ao Sol e com uma temporada de poucas chuvas há menos nuvens para impedir a passagem de tanto calor.
🌡️ Ou seja, as temperaturas devem subir ao longo da semana nos demais estados, mas não como na onda de calor. Em novembro, durante a última onda, o Rio de Janeiro chegou a 42,5°C e São Paulo a 37,7°C – recordes históricos de temperatura. Segundo o Climatempo, isso não deve se repetir durante o período nesses estados.
2023 em ebulição
O mês de novembro terminou como o sexto mês consecutivo de recordes de calor na Terra.
Desde junho, temos registrado um mês mais quente a cada novo período. E, por causa disso, os cientistas já confirmam que este ano deve terminar como o mais quente da história.
Recordes quebrados este ano:
- Primeiro, o planeta registrou o mês de junho mais quente da história.
- Depois, a marca foi sendo quebrada a cada novo mês: julho, agosto, setembro, outubro e agora novembro.
- Além disso, o número de dias que ultrapassou o limiar de aquecimento politicamente significativo de 1,5ºC já atingiu um novo máximo, muito antes do final do ano.
- E, para piorar, pela 1ª vez, o mundo registrou um dia com a temperatura média global 2°C acima da era pré-industrial.
- Fora tudo isso, julho foi tão quente que pode ter sido o mês mais quente em 120 mil anos, enquanto as temperaturas médias de setembro quebraram o recorde anterior em 0,5°C.
Segundo os especialistas, isso é resultado das mudanças climáticas. Os recordes mostram uma alta nas temperaturas e que se somam aos eventos climáticos naturais, como a onda de calor.
Os dados mostram que, década após década, aumentou o total de dias do ano sob efeito de ondas de calor. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até os anos 1990, eram sete dias em média. Os dados mais recentes indicam mais de 50 dias de calor atípico em média por ano.
- De 1961 a 1990: 7 dias
- 1991 e 2000: 20 dias
- De 2001 a 2010: 40 dias
- 2011 e 2020: 52 dias
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Jornal Metropolitano SP