Cidade com uma das populações mais envelhecidas do país tem no Padi Brasil um reforço federal para ampliar o cuidado domiciliar em toda a Baixada Santista
Santos tem 418.608 habitantes, segundo o Censo 2022. Desse total, 25,3% têm 60 anos ou mais. É uma proporção muito acima da média nacional, de 15,8%, e que coloca a cidade entre as mais envelhecidas do Brasil. Em Santos, o envelhecimento da população não é uma projeção para o futuro: é o retrato do presente.
A cidade já oferece, entre seus serviços, atendimento domiciliar para pessoas acamadas, e costuma aparecer em rankings como uma das melhores do país para se viver após os 60 anos. Mas, em uma cidade onde um em cada quatro moradores é idoso, a demanda por cuidado em casa cresce sem parar. É aí que entra o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, o Padi Brasil, lançado pelo Ministério da Saúde em junho de 2026.
O Padi Brasil financia equipes multiprofissionais da Atenção Primária, as eMulti, para atender em casa pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio, com condições crônicas estáveis e perda de autonomia. O Governo Federal repassa ao município um incentivo mensal adicional de R$ 5 mil a R$ 10 mil por equipe, conforme a modalidade, além de uma parcela única de implantação.
Para uma cidade com o perfil de Santos, esse reforço permite ampliar o número de idosos acompanhados e qualificar o cuidado. A equipe realiza uma avaliação multidimensional, com o instrumento IVCF-20, que mede o grau de fragilidade e identifica riscos clínicos, funcionais, cognitivos, emocionais, nutricionais e sociais. Com base nela, monta um plano de cuidados individual e orienta familiares e cuidadores.
Uma característica das cidades muito envelhecidas é o número de idosos que vivem sozinhos ou apenas com o cônjuge, também idoso. Em prédios antigos, muitos sem elevador, a perda de mobilidade transforma o próprio apartamento em uma prisão. O idoso deixa de ir às consultas, de renovar receitas e de fazer exames, e passa a ser visto pelo sistema de saúde apenas quando chega ao pronto-socorro.
Com o Padi Brasil, esse idoso volta ao radar. A equipe vai até ele, acompanha sua condição de forma contínua e identifica problemas antes que se tornem emergências.
Santos é o polo de saúde da Baixada Santista e recebe pacientes de toda a região. Quando seus hospitais ficam sobrecarregados com complicações evitáveis de idosos sem acompanhamento, quem perde é a região inteira. Cada idoso cuidado em casa, em Santos ou nos municípios vizinhos, representa um leito a mais disponível para quem realmente precisa dele.
A experiência acumulada em Santos no cuidado ao idoso também pode servir de referência para as demais cidades da Baixada, que enfrentam o mesmo processo de envelhecimento e podem aderir ao programa com o mesmo apoio federal.
Sem atenção domiciliar ampliada, a conta do envelhecimento chega pelo caminho mais caro: internações longas, reinternações frequentes, idosos que perdem a autonomia de forma definitiva e famílias sobrecarregadas. No Brasil, 80% das pessoas idosas dependem exclusivamente do SUS. Para elas, não há alternativa privada que faça esse acompanhamento.
Em uma cidade onde um quarto da população já passou dos 60 anos, o Padi Brasil não é um programa a mais. É uma resposta necessária ao Brasil que está envelhecendo, e Santos é uma amostra desse futuro.
Sobre os autores:
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.
Jornal Metropolitano SP