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Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Notícias/Economia

IVA: O que é o Imposto sobre Valor Agregado e como ele muda o sistema tributário brasileiro

Novo modelo promete simplificar impostos, reduzir distorções e trazer mais transparência ao contribuinte.

IVA: O que é o Imposto sobre Valor Agregado e como ele muda o sistema tributário brasileiro
Metropolitano SP
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Por Zeka Bocardi

O Imposto sobre Valor Agregado (IVA) é um modelo de tributação amplamente utilizado em diversos países do mundo e que passa a ser o eixo central da reforma tributária brasileira. Seu principal objetivo é simplificar o complexo sistema de impostos sobre o consumo, reduzir a cumulatividade e tornar mais claro para o cidadão quanto ele paga de imposto em cada produto ou serviço.

No Brasil, o IVA surge como resposta a décadas de críticas a um sistema confuso, fragmentado e oneroso, que prejudica empresas, consumidores e o crescimento econômico.

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O que é o IVA e como ele funciona

O IVA é um imposto que incide apenas sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva, ou seja, sobre a riqueza efetivamente criada em cada fase do processo — da produção até a venda final ao consumidor.

Na prática, funciona assim:

  • Cada empresa paga imposto apenas sobre a diferença entre o que comprou e o que vendeu;

  • O imposto pago nas etapas anteriores gera crédito, que é abatido do imposto devido na etapa seguinte;

  • O peso final do imposto recai sobre o consumidor, mas sem cobrança em cascata.

Esse modelo evita que um mesmo produto seja tributado várias vezes sobre o mesmo valor, algo recorrente no sistema atual.

Quais impostos serão substituídos

Com a reforma tributária, o IVA passa a substituir diversos tributos hoje existentes, criando um sistema mais uniforme. O novo modelo será composto por dois pilares:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal;

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), compartilhado entre estados e municípios.

Esses novos tributos substituem impostos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, hoje cobrados com regras diferentes e, muitas vezes, conflitantes.

Quando o IVA começa a valer

A implantação do IVA não será imediata, ocorrendo de forma gradual e escalonada, justamente para permitir adaptação do poder público, das empresas e dos sistemas de fiscalização.

O cronograma funciona da seguinte forma:

  • 2026: início da fase de transição. O IVA começa a aparecer nas notas fiscais com alíquotas reduzidas ou simbólicas, funcionando como período de testes e ajustes operacionais.

  • 2027: passa a valer a cobrança efetiva da CBS, com a extinção formal do PIS e da Cofins.

  • De 2029 a 2032: ocorre a substituição progressiva do ICMS e do ISS pelo IBS, com redução gradual dos tributos antigos.

  • 2033: conclusão da transição, com o IVA plenamente implantado em todo o país e os impostos anteriores definitivamente extintos.

O que muda com a chegada do IVA

Entre as principais mudanças trazidas pelo novo modelo estão:

  • Fim da cumulatividade, eliminando a cobrança em cascata;

  • Simplificação das regras tributárias, com menos exceções e mais padronização;

  • Maior transparência, permitindo ao consumidor saber quanto paga de imposto;

  • Cobrança no destino, fazendo com que o imposto fique onde ocorre o consumo;

  • Redução da guerra fiscal entre estados e municípios.

Além disso, exportações tendem a ser desoneradas, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Como o IVA será cobrado

A cobrança do IVA será:

  • Não cumulativa, com direito amplo a créditos;

  • Padronizada em âmbito nacional;

  • Altamente digitalizada, com uso intensivo de tecnologia e cruzamento eletrônico de dados.

O modelo busca reduzir fraudes, litígios e insegurança jurídica, tornando a arrecadação mais eficiente.

Uma transformação no sistema

O IVA representa uma das maiores transformações do sistema tributário brasileiro nas últimas décadas. Mais do que criar um novo imposto, a reforma propõe um novo modelo de arrecadação, mais simples, transparente e alinhado às práticas internacionais.

O sucesso dessa mudança, no entanto, dependerá de fiscalização eficiente, regras claras e acompanhamento constante da sociedade durante todo o período de transição.

FONTE/CRÉDITOS: Metropolitano SP | Zeka Bocardi

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