Da Redação: Por Zeka Bocardi
A Rodovia SP-75, importante ligação entre Campinas e Sorocaba, passando pelos municípios de Indaiatuba, Salto e Itu, tem sido alvo de críticas constantes de motoristas e motociclistas que utilizam diariamente o trecho administrado pela Concessionária Colinas, pertencente ao grupo Via Appia.
Apesar de possuir um dos pedágios mais caros do Estado de São Paulo, com valores que ultrapassam R$ 20 em cada sentido da viagem, as condições do pavimento têm gerado indignação entre os usuários. A má conservação é visível nas duas mãos da rodovia, com fissuras no asfalto, remendos irregulares, desníveis, degraus e trechos com evidente desgaste relatados por quem trafega diariamente pelo local.
Para muitos motoristas, o alto custo da tarifa não se traduz em qualidade ou segurança. A situação se torna ainda mais preocupante para os motociclistas, que estão mais vulneráveis aos desníveis e irregularidades do pavimento, aumentando o risco de acidentes.
Falta de conservação preocupa usuários
Motoristas afirmam que os problemas se arrastam há vários meses sem soluções definitivas. Em diversos trechos, os reparos realizados aparentam ser paliativos, sem a recuperação adequada do pavimento.
A SP-75 tornou-se uma das rodovias mais movimentadas do interior paulista devido ao crescimento econômico e industrial da região. O intenso fluxo de veículos de passeio, caminhões e motocicletas exige manutenção permanente e investimentos constantes em conservação.
Quais são as obrigações de uma concessionária de rodovias?
As concessionárias que administram rodovias pedagiadas possuem obrigações estabelecidas em contrato de concessão e fiscalizadas pelo poder público. Entre as principais responsabilidades estão:
- Manter o pavimento em boas condições de trafegabilidade.
- Executar obras de conservação e recuperação do asfalto.
- Garantir a segurança dos usuários.
- Manter sinalização horizontal e vertical adequada.
- Realizar roçada, limpeza e conservação das faixas de domínio.
- Prestar atendimento de emergência e socorro mecânico.
- Monitorar as condições da rodovia e agir preventivamente.
- Investir em melhorias previstas no contrato de concessão.
Quando essas obrigações não são cumpridas adequadamente, os usuários podem questionar a qualidade dos serviços prestados e cobrar providências dos órgãos fiscalizadores.
Usuários podem registrar reclamações
Os motoristas que se sentirem prejudicados podem formalizar reclamações junto aos órgãos responsáveis pela fiscalização das concessões.
Os principais canais são:
ARTESP – Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo
Responsável pela fiscalização das concessionárias estaduais.
Ouvidoria da Concessionária Colinas (Via Appia)
Canal direto para registro de ocorrências e reclamações.
Procon
Em situações relacionadas à prestação inadequada de serviços.
Ministério Público
Quando houver indícios de falhas recorrentes que possam comprometer a segurança dos usuários.
Também é importante que os motoristas registrem fotografias, vídeos e informações sobre o local dos problemas, auxiliando na comprovação das condições da rodovia.
Segurança deve ser prioridade
O pagamento de tarifas elevadas cria no usuário a expectativa de trafegar por uma rodovia segura, confortável e devidamente conservada. Quando o pavimento apresenta falhas constantes e a manutenção não acompanha o crescimento do fluxo de veículos, surge um questionamento legítimo da população: para onde estão sendo destinados os recursos arrecadados nos pedágios?
Enquanto milhares de usuários continuam pagando uma das tarifas mais altas do interior paulista, cresce a cobrança por maior fiscalização, transparência e investimentos efetivos na conservação da SP-75.
A segurança nas rodovias não pode ser tratada como um custo, mas como uma obrigação contratual e um compromisso com a vida de quem utiliza diariamente as estradas do Estado.
Jornal Metropolitano SP
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