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Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Notícias/CONSEG

População participa de reunião do CONSEG Sorocaba Sul no Jardim Zulmira e debate segurança, abandono e situação social

Moradores da Zona Oeste se unem a autoridades para discutir soluções para problemas crônicos como moradores de rua, ferros-velhos clandestinos, descarte irregular, falta de fiscais e uso indevido de prédios públicos.

População participa de reunião do CONSEG Sorocaba Sul no Jardim Zulmira e debate segurança, abandono e situação social
CONSEG SOROCABA SUL
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Mais uma importante reunião do CONSEG Sorocaba Sul (Conselho Comunitário de Segurança) foi realizada na noite do dia 10 de junho, reunindo representantes da comunidade e autoridades no CEI Aureliano Rodrigues, localizado no bairro Jardim Zulmira, Zona Oeste de Sorocaba. O encontro contou com a presença de moradores de diversos bairros da região e teve como foco a escuta ativa e a busca por soluções práticas e articuladas para os problemas enfrentados diariamente pela população.

A reunião foi marcada por um ambiente altamente democrático e participativo, com o retorno de demandas da reunião anterior e o aprofundamento de temas sensíveis que afetam a segurança e a qualidade de vida da região. Entre as autoridades presentes estavam o Comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, Capitão Barreto, a Delegada da Polícia Civil, Dra. Daniela Goes, a representante da Ouvidoria da Prefeitura, Ana Paula Rodrigues, o secretário da SESU (Secretaria de Segurança Urbana), Sérgio Stanckler, e a chefe da fiscalização municipal, Juliana Graziele.

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🗣 Demandas debatidas

Entre os principais assuntos debatidos com os moradores, destacaram-se:

  • A presença crescente de moradores de rua e a complexidade do problema social relacionado a eles;

  • A busca por materiais recicláveis em contêineres e o risco à saúde pública;

  • O funcionamento suspeito de ferros-velhos com portas fechadas, que podem estar recebendo produtos de origem ilícita;

  • A situação crítica na linha férrea sob responsabilidade da empresa Rumo, com relatos de queima de fios, moradias improvisadas, acúmulo de lixo e risco à saúde pública (focos de dengue, escorpiões e ratos);

  • Uma casa abandonada na Rua Salvador Stefanelli, acumulando recicláveis e infestada por roedores, com movimentação de moradores em situação de rua;

  • O prédio do antigo projeto "Sabe Tudo", construído pela Prefeitura com o Estado no terreno da Escola Estadual Humberto de Campos, hoje abandonado e servindo de abrigo;

  • A ponte velha, hoje inutilizada sob o novo pontilhão, que se tornou abrigo precário e perigoso;

  • A necessidade de alterações na legislação municipal para ampliar os mecanismos legais de fiscalização e controle sobre os ferros-velhos;

  • A atuação do Projeto Humanização, com uma perua adesivada que atende diariamente das 8h às 22h, realizando abordagens sociais a pessoas em situação de rua;

  • A solicitação da população pela retomada do ponto móvel da GCM no Jardim Zulmira.

Foi ainda sugerida uma operação policial conjunta, com uso de drones, cavalaria e todos os meios necessários, para entender e ter a real dimensão do que ocorre ao longo da linha férrea que corta a cidade desde o Wanel Ville, passa pelo Parque Esmeralda e segue até o Jardim Zulmira, afim de combater o problema. A via férrea, segundo moradores e autoridades, apresenta sinais claros de áreas invadidas, ruas clandestinas e se tornou rota de fuga de usuários e meliantes que cometem furtos tanto na Zona Oeste quanto na região central de Sorocaba. Os produtos furtados, principalmente cobre de origem duvidosa, têm destino certo: ferros-velhos irregulares, favorecendo um ciclo de criminalidade que se intensificou nos últimos anos.

Outro ponto bastante citado por moradores de diversos bairros foi a redução no patrulhamento comunitário, com destaque para o Programa Vizinhança Solidária, que segue descontinuado. A ausência desse importante instrumento de segurança foi especialmente lamentada por tutores de vários bairros da Zona Oeste, que cobraram a retomada das atividades e a reativação das redes de apoio entre moradores e a Polícia Militar. Segundo o Capitão Barreto, há expectativa de reestruturação com a chegada do novo Batalhão da PM, o que poderá fortalecer novamente o programa.

No bairro Parque Esmeralda, moradores reivindicaram mais apoio às cooperativas de reciclagem, bem como uma campanha da Prefeitura para fortalecer a cultura da reciclagem, prática essencial tanto para o meio ambiente quanto para a geração de renda.

No Jardim Simus, as reclamações também foram contundentes. Moradores relataram que o patrulhamento frequente realizado até o fim do ano passado foi reduzido, e pediram repintura da sinalização de solo. Além disso, apontaram o incômodo causado pela movimentação constante de usuários de drogas durante a madrugada, que atravessam o bairro sem interrupção, tirando a tranquilidade de famílias inteiras.

Outro foco de críticas foram as adegas, que deixaram de ser pontos comerciais e passaram a incomodar severamente os moradores, especialmente à noite. A liberação de alvarás para esse tipo de atividade também foi questionada, já que muitos desses estabelecimentos funcionam madrugada adentro, promovendo barulho, aglomerações, e perturbação do sossego público, principalmente em bairros residenciais.

🔍 A origem do problema: ferros-velhos irregulares

Apesar da variedade dos temas apresentados, o foco principal da reunião acabou sendo a proliferação e o funcionamento irregular de ferros-velhos, apontados como o elo central na cadeia de furtos, tráfico de materiais recicláveis e presença de usuários de drogas, que circulam pela Zona Oeste e por outras regiões da cidade. A chefe da fiscalização da Prefeitura, Juliana Graziele, esclareceu que existem entraves legais que dificultam uma ação mais incisiva da fiscalização, como a emissão do CLCB (Certificado de Licença do Corpo de Bombeiros) mesmo sem inspeção física nos locais. Outro ponto crítico levantado foi o Decreto Facilita São Paulo, que autoriza a instalação de empresas de alto risco, como ferros-velhos, até mesmo em zonas estritamente residenciais, dificultando o controle urbanístico e de segurança.


Kilometros e kilometros de fios são furtados semanalmente

Juliana destacou ainda que muitas das mudanças necessárias para coibir esses abusos e trazer ordem à atividade dependem de apoio do Legislativo Municipal, para que novas leis possam ser criadas ou ajustadas, permitindo que o município tenha respaldo para agir de forma mais firme contra estabelecimentos clandestinos ou irregulares.

🧭 Quatro palavras-chave para enfrentar os problemas

O encontro reforçou que os problemas ligados à presença de moradores em situação de rua e usuários de drogas — frequentemente associados a furtos, queima de fios elétricos e venda ilegal de materiais em ferros-velhos — só serão enfrentados com a união de quatro pilares fundamentais:

  • Legalidade – Amparo jurídico para atuação firme;

  • Responsabilidade – Compromisso dos órgãos públicos e comunidade;

  • Competência – Agilidade e efetividade dos agentes e serviços envolvidos;

  • Interesse político – Vontade e ação concreta por parte do poder público para aplicar soluções.

💻 Iniciativas práticas e colaboração

Uma das iniciativas também bem recebidas foi a proposta de um morador da área de tecnologia, que se prontificou a desenvolver um manual prático para facilitar o acesso ao Boletim de Ocorrência on-line. O objetivo é incentivar a população a registrar as ocorrências de forma sistemática, já que dados registrados com frequência e volume expressivo dão visibilidade aos problemas e fortalecem as reivindicações junto às autoridades.

Esse manual pode ser disponibilizado por meio de um jornal digital da região, ajudando a ampliar o alcance da informação e a empoderar os moradores.

📆 Próximas ações e agenda

A diretoria do CONSEG SOROCABA SUL, presidida por Zeka Bocardi, explicou que, devido a alterações sugeridas pela SESU, a reunião do dia 10 acabou ocorrendo próxima da anterior, realizada no Wanel Ville. No entanto, reafirmou o compromisso de manter as devolutivas aos moradores, bem como o acompanhamento das novas demandas, que já foram encaminhadas à representante da Ouvidoria da Prefeitura, Ana Paula Rodrigues, além de ofícios que serão levados para algumas secretarias.

A próxima reunião do CONSEG Sorocaba Sul (Zona Oeste) já está confirmada para a região do Central Parque | Piazza di Roma e adjacências, em local a ser divulgado em breve, com presença de convidados importantes e novas pautas de interesse público.

🤝 CONSEG como ponte entre o povo e o poder público

O CONSEG (Conselho Comunitário de Segurança) é um órgão vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, composto por moradores voluntários e representantes da sociedade civil. Ele atua como um elo entre a população e as forças de segurança e demais órgãos públicos. As reuniões periódicas são momentos de escuta, proposição e cobrança por soluções reais que impactam diretamente na vida dos bairros.

As demandas apresentadas nessa última reunião já estão sendo organizadas e encaminhadas para um próximo encontro entre o CONSEG e representantes do Poder Executivo Municipal, com o objetivo de desenhar ações integradas, intersetoriais e eficazes.

🔊 A força de uma cidade está na união de sua população. Reuniões como esta comprovam que, com diálogo, participação e coragem, é possível avançar em direção a soluções concretas. O CONSEG Sorocaba Sul segue firme em sua missão de ouvir a comunidade, cobrar as autoridades e construir uma Zona Oeste mais segura, organizada e humana.

FONTE/CRÉDITOS: Metropólitano SP

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