Por: Humberto Tobé e Isabella Werneck Zanon
A Prefeitura de Sorocaba iniciou, no primeiro semestre de 2025, as obras da Unidade Básica de Saúde Central Parque, unidade de porte IV localizada na Zona Oeste da cidade e orçada em R$ 5,2 milhões (SOROCABA, 2025a).
O crescimento populacional acelerado de bairros periféricos como o Central Parque abriu vazios assistenciais na rede pública. Atualmente, moradores da região são atendidos pelas UBSs Márcia Mendes e Sorocaba I, unidades que não acompanham o volume de usuários do entorno (SOROCABA, 2025a).
A obra é financiada com recursos do Novo PAC Saúde, com contrapartida do município para equipamentos, recursos humanos e manutenção. A execução está a cargo da Vigent Construções. A nova unidade terá 1.000 m², com seis consultórios, sala de odontologia, sala de esterilização e área para coleta de exames (SOROCABA, 2025a).
O caso de Sorocaba mostra um desafio diferente do observado em municípios menores. Mesmo cidades-polo, com rede de saúde mais ampla, mantêm bairros inteiros fora do alcance da Atenção Primária por causa do ritmo de expansão urbana. O financiamento federal, nesse contexto, responde a uma desigualdade de acesso que existe dentro do próprio município, não apenas entre regiões do estado.
Com a Central Parque, a cidade chega a 36 Unidades Básicas de Saúde, número que deve subir com a UBS Jardim São Conrado, orçada em R$ 5,3 milhões, e com uma terceira unidade planejada para a região do Parque São Bento (SOROCABA, 2025b; SOROCABA, 2026).
A previsão da Prefeitura é concluir as obras da Central Parque até o fim de 2026, quando a unidade passa a atender diretamente a população da Zona Oeste.
Quem sente o efeito primeiro não é o morador do Central Parque isoladamente, mas o conjunto de usuários hoje concentrados nas UBSs Márcia Mendes e Sorocaba I, que dividem entre si uma demanda maior do que a estrutura atual comporta (SOROCABA, 2025a). Com a nova unidade, parte desse fluxo se redistribui, o que tende a reduzir o tempo de espera por consulta e abrir mais vagas de agenda nas duas unidades vizinhas. Para quem mora no bairro, o ganho mais direto é ter a porta de entrada do SUS a uma distância caminhável, em vez de depender de transporte para chegar a uma UBS mais distante.
Autores
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).
Jornal Metropolitano SP