O resultado das urnas em Sorocaba desenhou um dos cenários políticos mais desafiadores para o município nas últimas décadas. A cidade, que já contou com bancada expressiva e articulada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), terá a partir de 2027 apenas um representante com domicílio e atuação direta na cidade: Danilo Balas (PL), reeleito para o seu terceiro mandato com 96.188 votos em todo o território paulista — sendo 41.432 deles registrados em Sorocaba.
O encolhimento significa a perda direta de três cadeiras em relação ao quadro conquistado no pleito anterior. Nomes tradicionais e com forte capilaridade local não conseguiram atingir o quociente eleitoral necessário para garantir assento direto, figurando como suplentes. Maria Lúcia Amary (PSD), que ocupava uma cadeira no parlamento paulista há seis mandatos consecutivos, obteve 23.301 votos na cidade mas não renovou o mandato. Trajetória semelhante teve Vitão do Cachorrão (Podemos), que somou 19.382 votos locais e também ficou na suplência. Esse vácuo já vinha se desenhando desde 2025, quando Carlos Cezar abriu mão da cadeira ao assumir como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP).
O peso dos 111 mil ausentes nas urnas
O principal combustível para o enfraquecimento político da cidade veio do desengajamento civil. Quase 111 mil eleitores sorocabanos optaram pela abstenção, deixando de comparecer aos colégios eleitorais. Ou seja, Sorocaba deixou de eleger pelo menos mais quatro ou cinco parlamentares.
No cálculo eleitoral, essa massa de votos desperdiçados teria sido suficiente para alterar completamente os quocientes partidários. Se o eleitorado ausente tivesse comparecido e concentrado opções em postulantes da região, o município teria condições matemáticas de garantir pelo menos mais três vagas na Alesp e assegurar mais um ou dois assentos na Câmara dos Deputados.
Radiografia dos votos para Deputado Estadual
A disputa local para a Alesp revelou uma pulverização de opções, com candidatos locais bem votados, porém sem força agregada no quociente de suas legendas:
Candidato Partido Votos em Sorocaba Percentual local
Danilo Mascarenhas De Balas PL 41.432 11,31%
Maria Eduarda Campopiano Monteiro PL 35.486 9,69%
Maria Lúcia Cardoso Pinto Amary PSD 23.301 6,36%
Leandro Cândido Soares PT 19.938 5,44%
Vitor Alexandre Rodrigues (Vitão) Podemos 19.382 5,29%
Fernanda Schlic Garcia PSOL 15.227 4,16%
João Donizeti Silvestre União Brasil 15.064 4,11%
Ítalo Gabriel Moreira Partido Missão 14.709 4,02%
José Vinicius Campos Aith Republicanos 9.530 2,60%
Gervino Cláudio Gonçalves PSD 8.881 2,42%
Votos em branco somaram 22.940 (5,47%) e votos nulos chegaram a 20.537 (4,89%).
O impacto prático no caixa do município
A redução drástica da força parlamentar de Sorocaba acende um sinal de alerta na administração municipal e no terceiro setor. Deputados estaduais e federais são os principais canais de atração de investimentos diretos via emendas impositivas, verbas de custeio para a saúde pública (como repasses para a Santa Casa e o Conjunto Hospitalar) e aportes em infraestrutura urbana e transporte.
Com menor poder de fogo e menos interlocutores diretos nos gabinetes palacianos e ministérios, Sorocaba passa a depender de articulações com parlamentares eleitos por outras bases regionais para disputar recursos do orçamento estadual e federal nos próximos quatro anos.
Jornal Metropolitano SP
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