Sorocaba (SP) está prestes a transformar sua paisagem urbana com a construção de um arranha-céu que promete ser o “prédio mais alto do mundo”, com mais de 170 andares e aproximadamente um quilômetro de altura. Inspirado no Burj Khalifa de Dubai, o projeto prevê um investimento privado de R$ 2 bilhões, além de gerar cerca de 5 mil empregos, diretos e indiretos, com o apoio da prefeitura para viabilizar a obra.
— Nossa cidade, com 800 mil habitantes, possui o charme do interior e proximidade da capital. Desde o anúncio, mais de cem empresas demonstraram interesse em investir aqui — afirmou o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), destacando a visão de crescimento econômico e projeção turística para Sorocaba.
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A construção de edifícios altos é uma tendência que já ganha força em outras cidades, como Palmas, João Pessoa e Goiânia. No entanto, especialistas divergem sobre o impacto dessas torres nos centros urbanos. Alguns argumentam que elas oferecem novos atrativos e oportunidades de negócios, enquanto outros alertam para os desafios de infraestrutura e impactos na qualidade de vida.
Planejamento e Desafios
Em uma audiência pública recente, o prefeito Manga ressaltou que o novo arranha-céu poderá revitalizar o centro de Sorocaba, combatendo o esvaziamento comercial:
— O prédio é um marco que, além de atrair turismo, traz visibilidade à cidade e ajuda a impulsionar a economia local — comentou Manga, reforçando a visão de que o projeto valoriza o potencial de Sorocaba.
Para Sérgio Dias, ex-secretário de urbanismo do Rio de Janeiro, o desenvolvimento de arranha-céus exige planejamento cuidadoso para mitigar efeitos como aumento de tráfego e gestão de resíduos:
— Esses prédios devem integrar-se bem ao entorno e estar preparados para lidar com impactos, como o lixo e a sombra que produzem. É preciso pensar na sustentabilidade e no uso compartilhado dos espaços urbanos — afirma Dias.
Carlos Murdoch, arquiteto e coordenador do curso de Arquitetura na Universidade Veiga de Almeida, questiona a necessidade do projeto para Sorocaba, chamando-o de uma “afirmação exagerada” do ego urbano:
— Em vez de um único edifício monumental, Sorocaba poderia distribuir os investimentos em equipamentos culturais, esportivos, parques e espaços para negócios, gerando benefícios de maneira mais ampla — sugere Murdoch.
Atraindo o Mercado Imobiliário
A construção de prédios altos é uma prática que vem crescendo no Brasil. Atualmente, Balneário Camboriú é destaque com 31 edifícios de mais de 150 metros, incluindo o Yachthouse by Pininfarina Tower 2, de 294 metros, famoso por atrair celebridades como Neymar. No Centro-Oeste, cidades como Goiânia e Rio Verde também têm construído edifícios de grande porte, enquanto João Pessoa e Palmas se destacam nas regiões Nordeste e Norte, respectivamente, com empreendimentos residenciais e comerciais que alcançam alturas impressionantes.

Para Pedro Seixas, professor de MBA da FGV e especialista no setor imobiliário, há uma demanda promissora para esse tipo de construção em Sorocaba, similar ao público atraído por Balneário Camboriú, formado por compradores do agronegócio e do interior paulista:
— Esse é um mercado que já mostrou interesse em cidades menores, mas o desafio será garantir ocupação nas unidades residenciais e comerciais ao final das obras — observa Seixas.
Apesar da grandiosidade, o urbanista Washington Fajardo enfatiza que o sucesso de uma cidade vai além da altura dos edifícios:
— A densidade de uma cidade é o que a torna vibrante, com pessoas nas ruas e a economia em movimento. Tamanho não define o valor dos espaços urbanos, mas sim como eles promovem a interação e o bem-estar da comunidade — conclui.