A gastronomia baseada no tropeirismo é uma manifestação culinária típica do sul do Brasil, mais especificamente dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa gastronomia está intrinsecamente ligada à história dos tropeiros, que eram condutores de tropas de mulas e cavalos responsáveis pelo transporte de mercadorias entre essas regiões.
Durante o período do tropeirismo, que ocorreu principalmente nos séculos XVIII e XIX, os tropeiros percorriam longas distâncias, atravessando regiões montanhosas e florestas, em suas jornadas de comércio. Eles levavam consigo produtos como charque (carne salgada e seca), farinha de mandioca, feijão, arroz, erva-mate, toucinho, entre outros alimentos básicos e duráveis, que garantiam a sua sobrevivência durante as viagens.
A gastronomia tropeira surgiu da necessidade de adaptar a culinária dos tropeiros às condições adversas e aos ingredientes disponíveis durante as suas jornadas. Dessa forma, desenvolveu-se uma culinária simples, porém rica em sabores e com pratos de grande sustentação. Os ingredientes utilizados eram principalmente de origem animal, como carnes, toucinho e banha de porco, além de grãos e farinhas.
Um prato emblemático da gastronomia tropeira é o famoso "feijão tropeiro". Ele é feito com feijão cozido, torresmo (toucinho frito), linguiça, farinha de mandioca, ovos, cebola, alho e temperos diversos. O feijão tropeiro é um prato completo, que fornece energia e nutrientes necessários para enfrentar longas caminhadas.
Outro prato bastante presente na culinária tropeira é a "carne de charque". A carne de charque é o resultado do processo de salga e secagem da carne, o que a torna durável por longos períodos. Ela era utilizada pelos tropeiros como fonte de proteína durante as viagens. A carne de charque pode ser preparada de diversas maneiras, como em ensopados, refogados ou em churrascos.
Além desses pratos, a gastronomia tropeira também inclui o "arroz de carreteiro" (preparado com carne de charque desfiada, arroz e temperos), a "pinhão" (semente da araucária, típica da região sul do Brasil) preparada de diversas formas, como cozida, assada ou em sopas, e o "barreado" (prato típico do litoral paranaense, preparado com carne bovina cozida lentamente em panela de barro com temperos e farinha de mandioca).
A gastronomia baseada no tropeirismo preserva a história e a cultura dos tropeiros, representando um importante legado cultural da região sul do Brasil. Ela é apreciada tanto por moradores locais quanto por turistas que desejam conhecer e degustar os sabores tradicionais dessa culinária rica em história e tradição.
Vaca Atolada
A preparação da carne de charque é um processo que requer tempo e paciência, pois envolve a salga e secagem da carne para conservá-la. Aqui está um método básico para fazer carne de charque:
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Ingredientes:
- 1 kg de carne bovina (preferencialmente cortes mais magros, como coxão duro, patinho ou alcatra)
- Sal grosso (quantidade suficiente para salgar a carne)
- Temperos opcionais (como alho em pó, pimenta-do-reino, ervas secas, etc.)
Instruções:
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Comece cortando a carne em tiras finas, com cerca de 1 a 2 centímetros de espessura. Retire qualquer excesso de gordura ou membranas.
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Em uma superfície limpa e seca, espalhe uma camada generosa de sal grosso. Coloque as tiras de carne sobre o sal, certificando-se de que todas as partes estejam em contato com o sal.
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Cubra as tiras de carne com mais uma camada de sal grosso. Certifique-se de que toda a carne esteja completamente coberta pelo sal. Isso ajudará na conservação e desidratação da carne.
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Coloque a carne salgada em uma vasilha ou refratário, cubra com um pano limpo e deixe descansar em temperatura ambiente por cerca de 24 horas. Isso permitirá que o sal penetre na carne e comece o processo de conservação.
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Após as 24 horas, retire a carne do recipiente e lave bem em água corrente para remover o excesso de sal. Esfregue bem cada pedaço para garantir a remoção do sal.
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Depois de lavada, você pode optar por deixar a carne de molho em água fria por algumas horas para dessalgar ainda mais. Troque a água algumas vezes durante esse processo.
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Após a dessalga, escorra bem a água e seque a carne com papel toalha ou um pano limpo.
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Em seguida, é hora de secar a carne. Você pode utilizar um desidratador de alimentos, pendurá-la em um local seco e arejado ou utilizar o forno em temperatura baixa (cerca de 50°C) com a porta entreaberta para permitir a circulação de ar.
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O tempo de secagem pode variar dependendo do método escolhido. Em um desidratador de alimentos, pode levar de 12 a 24 horas. Pendurada em local arejado, pode levar de 2 a 3 dias. No forno, pode levar de 6 a 8 horas.
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Durante o processo de secagem, vire as tiras de carne ocasionalmente para garantir uma secagem uniforme. A carne estará pronta quando estiver completamente seca, firme e com uma textura levemente dura.
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Após a secagem, a carne de charque estará pronta para ser armazenada. Você pode guardá-la em um recipiente hermético ou saco plástico com fecho ziplock em local fresco e seco.
A carne de charque assim preparada pode ser utilizada em diversos pratos, como o feijão tropeiro, arroz de carreteiro, feijoada, entre outros. Antes de utilizar, é importante
Arroz de Carreteiro
O arroz de carreteiro é um prato típico da culinária tropeira e é uma ótima maneira de aproveitar a carne de charque. Aqui está uma receita básica de arroz de carreteiro:

Ingredientes:
- 2 xícaras de arroz branco
- 200g de carne de charque desfiada
- 1 cebola média, picada
- 2 dentes de alho, picados
- 2 colheres de sopa de óleo ou banha de porco
- 4 xícaras de água
- Sal a gosto
- Pimenta-do-reino a gosto
- Cheiro-verde picado (opcional)
Instruções:
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Em uma panela grande, aqueça o óleo ou a banha de porco em fogo médio.
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Adicione a cebola picada e o alho e refogue até ficarem dourados e perfumados.
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Acrescente a carne de charque desfiada e refogue por alguns minutos para que ela aqueça e absorva os sabores dos temperos.
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Adicione o arroz à panela e mexa bem, garantindo que todos os grãos fiquem envolvidos no refogado.
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Adicione a água, o sal e a pimenta-do-reino. Misture tudo e aumente o fogo para médio-alto até que comece a ferver.
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Assim que a água ferver, reduza o fogo para baixo e tampe a panela. Cozinhe o arroz por cerca de 15 a 20 minutos, ou até que os grãos estejam macios e a água tenha sido absorvida.
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Após o tempo de cozimento, desligue o fogo e deixe o arroz descansar tampado por alguns minutos.
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Antes de servir, utilize um garfo para soltar delicadamente o arroz, misturando a carne de charque ao longo do processo.
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Se desejar, finalize com cheiro-verde picado para dar um toque de frescor ao prato.
O arroz de carreteiro pode ser servido como prato principal acompanhado de salada, feijão ou como guarnição para outros pratos. É um prato saboroso e reconfortante, perfeito para apreciar a gastronomia tropeira.
Feijão Tropeiro
O feijão tropeiro é um prato tradicional da culinária tropeira, rico em sabores e ingredientes que fornecem sustentação. Aqui está uma receita básica de feijão tropeiro:

Ingredientes:
- 2 xícaras de feijão-carioca cozido (pode ser feijão-preto ou feijão-manteiga também)
- 200g de linguiça calabresa defumada, cortada em cubos
- 200g de bacon, cortado em cubos
- 1 cebola média, picada
- 3 dentes de alho, picados
- 2 xícaras de farinha de mandioca
- 2 ovos
- Cheiro-verde picado a gosto (salsinha e cebolinha)
- Sal a gosto
- Pimenta-do-reino a gosto
Instruções:
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Em uma panela grande, frite o bacon em fogo médio até que esteja dourado e crocante. Retire o bacon da panela, mas deixe a gordura que se formou.
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Na mesma panela, adicione a linguiça calabresa e frite até ficar dourada. Retire a linguiça da panela e reserve.
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Na mesma panela, adicione a cebola e o alho picados. Refogue até que fiquem macios e dourados.
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Adicione o feijão cozido à panela com a cebola e o alho refogados. Misture bem e deixe cozinhar em fogo baixo por alguns minutos para que os sabores se incorporem.
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Enquanto isso, em outra frigideira, aqueça um pouco de óleo ou manteiga e frite os ovos, mexendo para que fiquem ligeiramente mexidos.
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Adicione a farinha de mandioca ao feijão na panela. Mexa bem para que a farinha se misture aos outros ingredientes. Continue mexendo até que a farinha esteja levemente tostada.
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Acrescente a linguiça calabresa e o bacon reservados ao feijão tropeiro. Misture novamente.
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Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto. Lembre-se de provar e ajustar os temperos conforme sua preferência.
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Por último, adicione os ovos mexidos e o cheiro-verde picado ao feijão tropeiro. Misture tudo delicadamente.
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Retire do fogo e sirva o feijão tropeiro quente como prato principal acompanhado de arroz branco, couve refogada e vinagrete, por exemplo.
O feijão tropeiro é um prato completo e saboroso, que pode ser apreciado em diversas ocasiões. Aproveite essa delícia da gastronomia tropeira!