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Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Sorocaba

Crise no CHS: Falta de ar-condicionado na UTI e precariedade estrutural expõem o drama de pacientes e familiares em Sorocaba

Relatos de uso improvisado de suportes e calor extremo revoltam frequentadores, enquanto unidade enfrenta histórico de investigações, falhas de climatização e afastamento da diretoria.

Crise no CHS: Falta de ar-condicionado na UTI e precariedade estrutural expõem o drama de pacientes e familiares em Sorocaba
Divulgação
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A situação no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) voltou a ser o centro de graves denúncias e preocupações na área da saúde pública. Familiares de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) registraram imagens e relataram condições dramáticas de atendimento, incluindo o calor intenso devido a falhas na climatização e o uso de recursos improvisados para tentar amenizar o sofrimento de entes queridos.

O cenário escancara uma crise estrutural recorrente no maior hospital de referência da região — que atende a dezenas de municípios —, gerando forte cobrança por parte de órgãos fiscalizadores, conselhos de classe e sociedade civil.

O retrato do descaso: Calor na UTI e improviso

O caso mais recente que revoltou a opinião pública envolveu familiares obrigados a buscar alternativas improvisadas para aliviar o desconforto térmico de pacientes internados na UTI do CHS. Em cenas que repercutiram fortemente, acompanhantes relataram ter recorrido a utensílios domésticos — como abanar pacientes com pratos de acrílico — diante da total falta de refrigeração adequada nas alas de terapia intensiva.

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Além do problema crônico com o sistema de ar-condicionado, que compromete o bem-estar e a recuperação de pacientes em estado crítico, relatórios e denúncias de servidores apontam o uso de soluções improvisadas para o suporte de ventilação e assistência médica.

Um panorama de múltiplos problemas estruturais e de gestão

A falha na climatização da UTI não é um evento isolado, mas parte de uma longa lista de deficiências estruturais e administrativas enfrentadas pelo Conjunto Hospitalar de Sorocaba. Um levantamento detalhado das principais problemáticas que afetam o hospital revela um quadro sistêmico de crise:

  • Falhas recorrentes na Climatização: Além da UTI, setores vitais como salas de armazenamento de materiais estéreis e blocos cirúrgicos já sofreram com quebras e paralisações nos sistemas de ar-condicionado, forçando o resfriamento inadequado de instrumentos em janelas e o adiamento de cirurgias.

  • Sobrecarga de Trabalho e Déficit de Pessoal: Sindicatos e o Ministério Público apontam que equipes de enfermagem e de limpeza operam no limite. Funcionários relatam jornadas exaustivas onde precisam escolher entre funções essenciais (como administrar medicamentos ou realizar a higiene de pacientes), elevando o risco de eventos adversos e mortes.

  • Problemas Operacionais e Logísticos: Falhas constantes em elevadores, escassez temporária de insumos/uniformes e deficiências nas equipes de apoio e limpeza compõem o cotidiano de reclamações na unidade.

  • Crise de Governança e Afastamentos: O acúmulo de denúncias levou a investigações aprofundadas do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), relatórios de comissões especiais da Câmara Municipal e auditorias de conselhos de classe (como Cremesp, Coren e Crefito). O cenário culminou no afastamento preventivo de três diretores da unidade pelo Seconci (entidade gestora), a pedido da Secretaria de Estado da Saúde, em meio a apurações de irregularidades financeiras, gerenciais e assistenciais.

O que dizem os responsáveis?

Questionada sobre os problemas na UTI e o calor excessivo nas alas, a direção do CHS informou que o sistema de refrigeração opera de forma parcial e que equipes de manutenção já foram mobilizadas para realizar os reparos necessários nos equipamentos afetados.

Por sua vez, a Secretaria de Estado da Saúde e a gestão terceirizada reforçaram que vistorias e investigações internas continuam em andamento para corrigir falhas administrativas e estruturais, garantindo — segundo as instituições — que a assistência global à população não seja descontinuada de forma definitiva, embora pacientes e familiares sigam cobrando fiscalização enérgica e soluções imediatas.

O que fazer ao constatar irregularidades ou precariedade no CHS?

Se você, um paciente ou um familiar presenciar falhas graves de atendimento, superlotação, falta de insumos, problemas de climatização ou quaisquer outras irregularidades na unidade de saúde, é fundamental formalizar a denúncia para que os órgãos competentes possam agir. O caminho recomendado envolve os seguintes passos:

  • Procure a Ouvidoria Interna ou o Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU): O primeiro passo dentro da própria instituição é registrar formalmente a reclamação, solicitando um número de protocolo. Esse registro serve como prova documental de que a direção do hospital foi ciente do problema.

  • Acione os Conselhos de Classe e Órgãos de Fiscalização: Caso a resposta interna seja insatisfatória ou a situação represente risco iminente à vida, denúncias podem (e devem) ser encaminhadas diretamente ao Conselho Regional de Medicina (Cremesp), ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren) ou à Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que possuem prerrogativas para fiscalizar condições de trabalho e atendimento.

  • Registre denúncia nos Órgãos de Controle e Ministério Público: O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) recebem denúncias da população relacionadas à má gestão de recursos públicos, falhas contratuais de prestadores terceirizados e precarização de serviços essenciais de saúde.

  • Utilize os Canais da Prefeitura e do Estado: A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e a Ouvidoria Geral do Estado também disponibilizam canais digitais e telefônicos (como o Disque Saúde ou plataformas de ouvidoria estadual) para o registro de denúncias formais contra hospitais públicos geridos pelo estado.

Esta orientação fortalece o controle social, garantindo que o cidadão tenha voz ativa na fiscalização e na busca por melhorias urgentes no sistema público de saúde.

FONTE/CRÉDITOS: Metropolitano SP

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