UBATUBA — O custo para aproveitar um dia de sol nas praias do Litoral Norte paulista ficou oficialmente mais salgado. Em sessão plenária tensa, a Câmara Municipal de Ubatuba rejeitou a proposta legislativa que tentava revogar o decreto de reajuste das tarifas do estacionamento rotativo (Zona Azul). Com o arquivamento do projeto que visava barrar a alta, permanecem em vigor as novas taxas que fixam a diária do estacionamento na orla em R$ 50 (válida por até 12 horas) e elevam a tarifa da região central para R$ 5 por hora.
A medida consolida um dos valores mais altos praticados em todo o litoral do Estado de São Paulo, incidindo diretamente sobre 18 das faixas de areia mais procuradas da cidade e provocando intenso debate entre a administração pública, veranistas e comerciantes locais.
Raio-X dos novos valores e abrangência
O modelo tarifário aprovado e mantido pelo Legislativo estabelece diferenciação clara entre a orla turística e a área urbana comercial:
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Orla marítima (18 praias): Tarifa única diária de R$ 50 por veículo de passeio, válida por período de até 12 horas no mesmo dia.
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Região Central: Cobrança fracionada de R$ 5 por hora, voltada à rotatividade das vagas comerciais.
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Período de fiscalização: Aplicação diária durante toda a alta temporada e em finais de semana e feriados prolongados no decorrer do ano.
Entre as praias contempladas pelo valor da diária estão destinos icônicos como Grande, Tenório, Itamambuca, Félix, Toninhas e Enseada, que concentram grande parte do fluxo de automóveis oriundos da capital, do Vale do Paraíba e do interior paulista.
Justificativa fiscal versus pressão no comércio
Defensores da manutenção da tarifa argumentam que a arrecadação da Zona Azul é indispensável para custear a zeladoria urbana, a coleta de resíduos e a segurança pública em períodos de sobrecarga populacional, quando a cidade chega a quintuplicar o número de habitantes. Segundo a tese governista, o valor funciona como contrapartida necessária para mitigar os impactos ambientais e o desgaste na malha viária causados pelo turismo de massa.
Por outro lado, associações de quiosqueiros, donos de pousadas e lideranças do comércio varejista manifestam preocupação com a perda de competitividade do município. A principal queixa é que a soma da diária de R$ 50 com a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) — já cobrada por veículo que entra na cidade — crie uma barreira de entrada para o chamado "turismo de um dia", afugentando visitantes para cidades vizinhas como Caraguatatuba e São Sebastião.
Fiscalização e aplicativos sob a lupa
Outro ponto que segue no centro das reclamações de motoristas diz respeito à eficiência dos canais de pagamento e à sinalização nas praias. Usuários relatam instabilidade no aplicativo oficial e dificuldade em encontrar monitores credenciados para aquisição de tíquetes físicos em pontos remotos, o que tem gerado autuações por estacionamento irregular.
Com a decisão dos vereadores de selar a manutenção das tarifas, o foco agora se volta para a fiscalização da prestação de serviços por parte da concessionária e para a transparência na aplicação dos recursos arrecadados, em um momento em que a mobilidade e o equilíbrio econômico do Litoral Norte permanecem em debate permanente.
Jornal Metropolitano SP
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