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Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Litoral Paulista

APAGÃO NA BAIXADA: SÃO VICENTE CONCENTRA QUASE 60% DAS QUEDAS DE ENERGIA CAUSADAS POR PIPAS NA REDE ELÉTRICA

Com 399 episódios de interrupção em um universo de 689 ocorrências regionais, município lidera estatística negativa que penaliza o comércio de bairro, sabota sistemas de segurança e expõe pedestres e motociclistas a perigo constante.

APAGÃO NA BAIXADA: SÃO VICENTE CONCENTRA QUASE 60% DAS QUEDAS DE ENERGIA CAUSADAS POR PIPAS NA REDE ELÉTRICA
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SÃO VICENTE — Um diagnóstico alarmante sobre a vulnerabilidade da infraestrutura urbana na Baixada Santista coloca São Vicente no epicentro de um debate urgente sobre segurança, manutenção de serviços essenciais e ordenamento público. Levantamento técnico divulgado pela concessionária de energia elétrica aponta que o município registrou 399 interrupções no fornecimento provocadas por linhas e armações de pipa enroscadas na rede de alta e média tensão ao longo deste ano.

O número representa nada menos que 58% do total de 689 ocorrências registradas em toda a Baixada Santista, evidenciando que a primeira cidade do Brasil sofre de forma desproporcional com uma prática que extrapola o lazer comunitário e se consolida como vetor recorrente de desordem urbana.

Raio-X do impacto regional

A disparidade dos números revela a dimensão da sobrecarga operacional imposta ao município vicentino:

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Município / Região                                         Interrupções Registradas                            Participação Relativa
São Vicente                                                   399                                                             ~58%
Demais cidades da Baixada Santista          290                                                             ~42%

Total Regional                                              689                                                              100%

O volume de chamados em São Vicente quase dobra a soma de todas as outras cidades litorâneas combinadas, forçando deslocamentos contínuos de equipes de emergência da distribuidora e gerando tempos de resposta mais dilatados para o restabelecimento da energia.

Prejuízo econômico e colapso na segurança eletrônica

O corte abrupto de eletricidade afeta cadeias sensíveis da rotina urbana:

  • Comércio e serviços: Em centros comerciais de bairro, o desabastecimento compromete o funcionamento de caixas registradoras, máquinas de cartão e o acondicionamento adequado de carnes, laticínios e congelados em pequenos mercados e padarias.

  • Sistemas de vigilância: O corte de fase desativa circuitos fechados de TV (CFTV), interfones e portões automáticos em condomínios residenciais e estabelecimentos comerciais, criando pontos cegos imediatos e fragilizando o monitoramento comunitário nas ruas.

  • Risco de danos patrimoniais: O curto-circuito provocado pelo contato de cabos com linhas condutivas costuma deflagrar queima de transformadores e surtos de tensão que danificam eletrodomésticos e equipamentos industriais.

Da fiação às ruas: o perigo letal das linhas cortantes

O impacto das ocorrências não se encerra na falta de luz. A presença massiva de cerol e da linha chilena — materiais com alto potencial cortante e, por vezes, condutividade metálica — transforma fios soltos em armadilhas invisíveis suspensas em avenidas de tráfego intenso e vias arteriais do município.

Motociclistas, motoboys em serviço de entrega e ciclistas formam o grupo de maior vulnerabilidade a cortes profundos no pescoço e membros superiores, demandando rigor extremo na fiscalização da venda clandestina desses materiais proibidos por lei estadual.

Medidas estruturantes e ação comunitária

Especialistas em gestão urbana apontam que a resolução do problema demanda uma atuação em três frentes integradas:

  1. Fiscalização de posturas e apreensão: Ações ostensivas da Guarda Civil Municipal e das forças policiais em locais com histórico de aglomeração para disputas de pipa com materiais cortantes.

  2. Modernização do cabeamento: Cobrança formal à concessionária para a substituição de fiações abertas por redes compactas protegidas (cabo protegido/isolado) nos pontos mais críticos do município, mitigando os curtos instantâneos.

  3. Engajamento dos bairros: Participação ativa de conselhos comunitários de segurança (CONSEGs), associações de moradores e escolas em campanhas educativas permanentes que orientem sobre o uso exclusivo de áreas abertas e sem postes para práticas recreativas.

Com quase 400 episódios acumulados, a estabilidade do fornecimento de energia em São Vicente deixa de ser uma questão meramente técnica da concessionária e exige resposta institucional articulada para preservar vidas e a rotina produtiva dos bairros.

FONTE/CRÉDITOS: Metropolitano SP

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