SÃO VICENTE — Um diagnóstico alarmante sobre a vulnerabilidade da infraestrutura urbana na Baixada Santista coloca São Vicente no epicentro de um debate urgente sobre segurança, manutenção de serviços essenciais e ordenamento público. Levantamento técnico divulgado pela concessionária de energia elétrica aponta que o município registrou 399 interrupções no fornecimento provocadas por linhas e armações de pipa enroscadas na rede de alta e média tensão ao longo deste ano.
O número representa nada menos que 58% do total de 689 ocorrências registradas em toda a Baixada Santista, evidenciando que a primeira cidade do Brasil sofre de forma desproporcional com uma prática que extrapola o lazer comunitário e se consolida como vetor recorrente de desordem urbana.
Raio-X do impacto regional
A disparidade dos números revela a dimensão da sobrecarga operacional imposta ao município vicentino:
Município / Região Interrupções Registradas Participação Relativa
São Vicente 399 ~58%
Demais cidades da Baixada Santista 290 ~42%
Total Regional 689 100%
O volume de chamados em São Vicente quase dobra a soma de todas as outras cidades litorâneas combinadas, forçando deslocamentos contínuos de equipes de emergência da distribuidora e gerando tempos de resposta mais dilatados para o restabelecimento da energia.
Prejuízo econômico e colapso na segurança eletrônica
O corte abrupto de eletricidade afeta cadeias sensíveis da rotina urbana:
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Comércio e serviços: Em centros comerciais de bairro, o desabastecimento compromete o funcionamento de caixas registradoras, máquinas de cartão e o acondicionamento adequado de carnes, laticínios e congelados em pequenos mercados e padarias.
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Sistemas de vigilância: O corte de fase desativa circuitos fechados de TV (CFTV), interfones e portões automáticos em condomínios residenciais e estabelecimentos comerciais, criando pontos cegos imediatos e fragilizando o monitoramento comunitário nas ruas.
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Risco de danos patrimoniais: O curto-circuito provocado pelo contato de cabos com linhas condutivas costuma deflagrar queima de transformadores e surtos de tensão que danificam eletrodomésticos e equipamentos industriais.
Da fiação às ruas: o perigo letal das linhas cortantes
O impacto das ocorrências não se encerra na falta de luz. A presença massiva de cerol e da linha chilena — materiais com alto potencial cortante e, por vezes, condutividade metálica — transforma fios soltos em armadilhas invisíveis suspensas em avenidas de tráfego intenso e vias arteriais do município.
Motociclistas, motoboys em serviço de entrega e ciclistas formam o grupo de maior vulnerabilidade a cortes profundos no pescoço e membros superiores, demandando rigor extremo na fiscalização da venda clandestina desses materiais proibidos por lei estadual.
Medidas estruturantes e ação comunitária
Especialistas em gestão urbana apontam que a resolução do problema demanda uma atuação em três frentes integradas:
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Fiscalização de posturas e apreensão: Ações ostensivas da Guarda Civil Municipal e das forças policiais em locais com histórico de aglomeração para disputas de pipa com materiais cortantes.
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Modernização do cabeamento: Cobrança formal à concessionária para a substituição de fiações abertas por redes compactas protegidas (cabo protegido/isolado) nos pontos mais críticos do município, mitigando os curtos instantâneos.
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Engajamento dos bairros: Participação ativa de conselhos comunitários de segurança (CONSEGs), associações de moradores e escolas em campanhas educativas permanentes que orientem sobre o uso exclusivo de áreas abertas e sem postes para práticas recreativas.
Com quase 400 episódios acumulados, a estabilidade do fornecimento de energia em São Vicente deixa de ser uma questão meramente técnica da concessionária e exige resposta institucional articulada para preservar vidas e a rotina produtiva dos bairros.
Jornal Metropolitano SP
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