A cidade de Santos se despede de uma das figuras mais emblemáticas de sua história política recente. Aos 82 anos, Telma de Souza faleceu deixando uma trajetória indissociável das grandes transformações sociais e urbanas da Baixada Santista e do Estado de São Paulo. A Prefeitura de Santos decretou luto oficial de três dias em reconhecimento ao seu legado, mobilizando lideranças políticas de diferentes espectros e atraindo dezenas de munícipes ao Salão Nobre do Palácio José Bonifácio para as últimas homenagens.
Pedagoga e advogada por formação, Telma começou sua militância nos movimentos comunitários e sindicais antes de alcançar projeção eleitoral. Em 1982, foi eleita vereadora, destacando-se pela oposição firme à ditadura militar e pela defesa dos direitos das populações periféricas. Quatro anos depois, foi eleita deputada federal, tendo papel ativo na Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988, onde participou diretamente da redação de capítulos voltados aos direitos sociais, à seguridade e à proteção ao trabalhador.
Seu ápice na gestão executiva ocorreu em 1988, quando venceu a eleição municipal e tornou-se a primeira mulher a assumir a Prefeitura de Santos (1989–1992). Seu mandato transformou a cidade em um polo de referência nacional e internacional, especialmente no campo da saúde pública: Santos liderou a reformulação do atendimento psiquiátrico com a intervenção na Casa de Saúde Anchieta — marco fundamental da luta antimanicomial no Brasil — e estruturou uma das políticas mais inovadoras de combate à epidemia de HIV/AIDS, baseada em acolhimento e distribuição de insumos preventivos, modelo que mais tarde influenciou as diretrizes do Ministério da Saúde.
Além da saúde, a administração de Telma priorizou intervenções na infraestrutura dos morros e da Zona Noroeste, combinando regularização fundiária básica com urbanização popular e recuperação de espaços públicos.
Após concluir o mandato no Executivo santista, Telma manteve intensa vida legislativa, cumprindo mandatos como deputada estadual e deputada federal em Brasília, antes de retornar à Câmara Municipal de Santos em mandatos mais recentes, mantendo-se como voz ativa nos debates sobre o porto, a segurança pública e os serviços essenciais da cidade.
As cerimônias de despedida reúnem gestores públicos, representantes comunitários e a população local, que homenageiam uma líder cuja trajetória ajudou a moldar a cidadania santista contemporânea.
Jornal Metropolitano SP
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