Carreta do Ministério da Saúde faz mamografias, ultrassons, biópsias e consultas com especialistas para moradoras de Guaratinguetá, Aparecida, Cunha e cidades vizinhas
No Vale do Paraíba, a distância até um exame especializado varia muito. Quem mora em São José dos Campos ou Taubaté tem mais opções por perto. Quem vive na zona rural de Cunha, a quase 50 quilômetros de estrada serrana de Guaratinguetá, enfrenta outra realidade. Em agosto de 2026, uma carreta de saúde da mulher do Ministério da Saúde começou a atender em Guaratinguetá e encurtou esse caminho para moradoras de sete municípios.
Além de Guaratinguetá, a unidade recebe pacientes de Aparecida, Cachoeira Paulista, Canas, Cunha, Potim e Roseira. O atendimento é feito de segunda a sexta, com capacidade para até 60 pessoas por dia. A carreta faz mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, biópsias e consultas com especialistas, que analisam os resultados e já encaminham a paciente para a próxima etapa do cuidado.
O acesso segue as regras do SUS. As vagas são destinadas a mulheres pré-agendadas e encaminhadas pelas secretarias municipais de saúde. Quem já aguarda um exame pode procurar a Unidade Básica de Saúde da sua cidade para pedir o encaminhamento. Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é reduzir de forma considerável as filas da região, podendo até zerá-las.
A carreta faz parte do Agora Tem Especialistas, programa que deixou de ser apenas uma iniciativa de gestão e virou lei. A Lei 15.233, de 2025, instituiu o programa e deu a ele base legal para continuar ampliando consultas, exames e cirurgias especializadas no SUS. Na prática, isso dá mais segurança a estados, municípios e, principalmente, aos pacientes que dependem dessas ações.
O foco da unidade em Guaratinguetá é o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero. Os dois têm algo em comum: quando descobertos cedo, têm altas chances de cura. O problema é que o diagnóstico depende de uma sequência de exames que, na rede tradicional, pode levar meses para se completar. Reunir mamografia, ultrassom, biópsia e consulta especializada em um só lugar reduz esse tempo.
O avanço também vem das regras. Desde setembro de 2025, o SUS garante a mamografia a mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, e o rastreamento de rotina vai até os 74 anos. No colo do útero, o teste molecular de DNA-HPV está substituindo o Papanicolau como exame principal, com mais precisão. Mais mulheres com acesso aos exames exigem mais estrutura para atendê-las, e as unidades móveis ajudam a responder a essa procura.
Até agosto de 2026, 25 municípios paulistas já tinham recebido carretas do Ministério da Saúde, com 22,1 mil pessoas atendidas e 47,3 mil procedimentos. Na região de Guaratinguetá, a passagem da carreta traduz esses números em algo mais simples: a mulher de Cunha, de Potim ou de Roseira que esperava um exame passou a tê-lo a poucos quilômetros de casa. Sem esse reforço, muitas continuariam esperando, e cada mês de espera pode ser decisivo na luta contra o câncer.
Sobre os autores:
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.
Jornal Metropolitano SP