O setor imobiliário está enfrentando dificuldades devido à taxa de juros básicos, Selic, de 13,75%. Essa alta nos juros e o cenário macroeconômico, com mais famílias endividadas, têm reduzido a oferta de financiamento para a compra de imóveis. Consequentemente, as taxas de juros para financiamentos imobiliários estão atingindo valores de dois dígitos.
Um fator que tem encarecido o crédito imobiliário são os saques observados na poupança nos últimos meses. Em janeiro e fevereiro, os saques da poupança atingiram recordes. Em março, houve uma diminuição desse saldo negativo, ficando em R$ 6,09 bilhões. No entanto, no acumulado do ano, as retiradas já alcançaram o maior valor desde 1995, segundo dados do Banco Central, totalizando R$ 51,23 bilhões.
A poupança é a principal fonte de captação dos bancos para oferecer crédito aos compradores de imóveis. Com a saída de recursos da poupança, os bancos precisaram buscar fontes mais caras, como letras de crédito (LCIs e LIGs) e certificados de recebíveis (CRIs).
Diante disso, Santander, Itaú, Bradesco e até mesmo a Caixa, líder no crédito imobiliário, elevaram as taxas de juros para financiamentos imobiliários.
As incorporadoras têm tentado convencer o Banco Central a destinar 5% dos recursos dos depósitos compulsórios ao crédito imobiliário. Atualmente, dos recursos dos bancos, 65% devem ser destinados ao crédito imobiliário, 15% ficam como recurso livre e 20% são depositados junto ao Banco Central, que remunera os bancos na mesma taxa que os poupadores recebem. Essa proposta traria um aporte de R$ 38 bilhões ao mercado imobiliário, mas seria direcionada apenas para imóveis novos, que geram empregos.
Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), ressaltou a importância dessa medida para estabilizar o mercado, pois os bancos estimam que o volume de financiamentos neste ano deve ficar entre R$ 140 bilhões e R$ 150 bilhões, em comparação aos R$ 185 bilhões do ano passado.
Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Consultoria Tendências, também sugere a redução dos depósitos compulsórios. Ele argumenta que os bancos possuem processos e governanças mais avançados para gerenciar liquidez e risco de mercado, portanto, não seria necessário manter níveis tão altos de compulsório, especialmente sobre as cadernetas de poupança. Loyola defende que o Brasil precisa de alavancas de crescimento, e direcionar recursos para imóveis novos, que geram empregos na construção civil, poderia ser uma estratégia eficaz.