A arte ocupa lugar de destaque na paisagem do Jardim das Perdizes. Entre áreas verdes, praças e alamedas, o bairro reúne um conjunto de esculturas de grandes dimensões assinadas por Tomie Ohtake, Bia Dória e Daisy Nasser, artistas que representam diferentes gerações e linguagens da arte contemporânea brasileira. Distribuídas entre o Parque Jardim das Perdizes e seu entorno, as obras foram doadas pelas artistas e estabelecem um diálogo permanente entre arte, arquitetura, paisagem e urbanismo.
Integradas ao projeto urbanístico do bairro, as esculturas incorporam a arte à experiência urbana. Ao longo do Parque Jardim das Perdizes e das áreas que o circundam, elas transformam o percurso em uma experiência de contemplação, na qual arte, natureza e cidade convivem de forma integrada.
Além de enriquecerem a paisagem urbana, as artistas reunidas no Jardim das Perdizes ocupam posições de destaque na produção artística brasileira. Tomie Ohtake (1913–2015) é considerada uma das principais referências do abstracionismo no Brasil e autora de esculturas monumentais presentes em diversas cidades do país. Bia Dória desenvolve uma produção marcada pelo uso de materiais naturais e reaproveitados, com forte vínculo à sustentabilidade e à preservação ambiental. Já Daisy Nasser é reconhecida por esculturas que exploram temas ligados à origem da humanidade, à espiritualidade, aos símbolos ancestrais e ao feminino. Juntas, representam diferentes momentos, estilos e perspectivas da arte contemporânea brasileira.
Um dos destaques do acervo é a escultura “Sem Título”, de Tomie Ohtake. Com seis metros de altura, a obra, produzida em aço treliçado com pintura automotiva vermelha, está instalada no Parque Jardim das Perdizes e evidencia características marcantes da produção da artista, reconhecida pelo uso de formas orgânicas, linhas sinuosas e pela intensa relação entre cor, volume e espaço.
Bia Dória participa do percurso com três esculturas abstratas que integram um conjunto doado pela artista ao bairro. Uma das obras está instalada no Parque Jardim das Perdizes, enquanto as outras duas ocupam áreas do entorno, ampliando o diálogo entre arte e espaço urbano. Produzidas em fibra e em fibra com ferro, as esculturas exploram volumes, texturas e diferentes composições formais, criando pontos de interesse ao longo do bairro e revelando novas perspectivas conforme o deslocamento do observador.
O circuito é complementado por “Início”, de Daisy Nasser. Executada em fibra de vidro na cor amarela, a escultura está localizada no Parque Jardim das Perdizes e dialoga com a paisagem por meio de suas formas orgânicas e de sua presença escultórica, reforçando a integração entre arte e espaço urbano.
Mais do que elementos paisagísticos, as esculturas compõem a identidade visual do Jardim das Perdizes e evidenciam a presença da arte como parte do projeto urbano. Ao ocupar áreas de convivência e circulação, as obras ampliam o diálogo entre produção artística, arquitetura e cotidiano.
Recentemente, o Parque Jardim das Perdizes também recebeu uma das esculturas da exposição urbana em homenagem aos 90 anos de Mauricio de Sousa, iniciativa da Prefeitura de São Paulo que levou personagens da Turma da Mônica a diferentes regiões da capital, reforçando a vocação do espaço para receber intervenções artísticas e culturais.
Obras
Parque Jardim das Perdizes
Tomie Ohtake
Sem Título
Escultura em aço treliçado com pintura automotiva vermelha.
Altura: 6 metros.
Bia Dória
Escultura abstrata em fibra.
Dimensões: 3,44 x 1,07 x 0,90 m.
Daisy Nasser
Início
Fibra de vidro (amarelo).
Dimensões: 2,20 x 3,50 x 3,50 m.
Entorno do Parque Jardim das Perdizes
Bia Dória
Escultura abstrata em fibra e ferro (vermelho).
Dimensões: 2,90 x 2,80 x 1,60 m.
Bia Dória
Escultura abstrata em fibra e ferro (branco).
Dimensões: 4,45 x 1,50 x 0,54 m.
Jornal Metropolitano SP