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Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Santos

Muretas da Ponta da Praia são reconhecidas como patrimônio cultural santista

Em Santos, as tradicionais muretas da Ponta da Praia, presentes na paisagem e no imaginário de gerações de santistas, acabam de ganhar reconhecimento oficial como patrimônio cultural do Município.

Muretas da Ponta da Praia são reconhecidas como patrimônio cultural santista
Isabela Carrari (principal), Francisco Arrais, e Carlos Nogueira (solenidade)
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Há símbolos que ultrapassam o concreto e passam a fazer parte da memória de uma Cidade. Em Santos, as tradicionais muretas da Ponta da Praia, presentes na paisagem e no imaginário de gerações de santistas, acabam de ganhar reconhecimento oficial como patrimônio cultural do Município. A decisão, unânime, foi tomada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) durante solenidade realizada quinta-feira (27), na Sala Princesa Isabel do Paço Municipal (Centro Histórico), que também marcou os 35 anos do órgão.

O reconhecimento contempla as muretas em suas dimensões material e imaterial. Com a decisão, Santos passa a ter 61 bens tombados, sendo as muretas o 61º patrimônio protegido pelo Condepasa e o primeiro reconhecido também em sua dimensão imaterial. O tombamento protege o trecho original remanescente localizado na Avenida Rei Pelé (antiga Avenida Saldanha da Gama), entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Almirante Gago Coutinho, na Ponta da Praia.

Integrantes de um conjunto de intervenções urbanas realizadas durante a terceira gestão do prefeito Antônio Gomide Ribeiro dos Santos (1941-1945), as muretas acabaram se tornando uma espécie de assinatura de Santos. A estrutura, associada ao engenheiro Carlos Lang, ultrapassou sua função original de proteção aos pedestres e passou a estampar tatuagens, camisetas, suvenires, joias, peças decorativas e outras manifestações culturais.

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PERTENCIMENTO

O tombamento considera a relação construída entre as muretas e a população. A dimensão imaterial reconhece a estrutura como referência cultural ligada à identidade, à memória coletiva e ao sentimento de pertencimento dos santistas. Já a proteção material é destinada exclusivamente à preservação do trecho original remanescente da Ponta da Praia. Intervenções no local dependerão de autorização do Condepasa.

“Ao fazer 35 anos, o Condepasa dá um presente para a Cidade. As muretas são algo muito simbólico, que estão presentes em tatuagens, em suvenires e na memória dos santistas e daqueles que nos visitam. É uma peça única que faz lembrar de Santos em qualquer lugar. Esse tombamento consolida a nossa história e reforça a importância do reconhecimento e preservação de patrimônios históricos”, afirmou o prefeito Rogério Santos, ao reconhecer o tombamento.

O autor da proposta, o jornalista e chefe de Gabinete da Prefeitura de Santos, Rafael Oliva, explicou a importância do reconhecimento. “É um elemento histórico e imaterial. As muretas despertam a curiosidade de quem visita Santos e se tornaram parte da paisagem em diferentes regiões, dos canais à Zona Noroeste e à Área Continental, servindo de pano de fundo para fotos, encontros e reflexões”.

Em outubro do ano passado, votação popular nas redes sociais escolheu a Muretinha como mascote da Cidade para ilustrar publicações e materiais institucionais.

35 ANOS DE PRESERVAÇÃO

A decisão, antecedida por audiências públicas, ocorreu durante a solenidade que celebrou os 35 anos do Condepasa, e que contou com a participação da vice-prefeita Audrey Kleys. Órgão autônomo e deliberativo, o Conselho atua na preservação e no tombamento de bens culturais e naturais de Santos e reúne representantes de secretarias municipais, associações e universidades.

A celebração faz parte da programação da 2ª Semana do Patrimônio Santista, realizada com apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (Semam) e correalização da Associação Comercial de Santos (ACS). O evento reuniu integrantes, ex-integrantes e ex-presidentes do Condepasa, que receberam o livro comemorativo dos 480 anos do Município e esculturas das muretas.

“O Condepasa busca garantir que o desenvolvimento da Cidade caminhe junto à preservação de sua história, com diálogo e responsabilidade. Ao longo desses 35 anos, diferentes pessoas contribuíram para construir essa política de proteção do patrimônio”, afirmou o titular da Semam e presidente do Condepasa, Glaucus Farinello.

Fotos: Isabela Carrari (principal), Francisco Arrais, e Carlos Nogueira (solenidade)

FONTE/CRÉDITOS: Prefeitura de Santos

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