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Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Saúde

Quem faz a saúde na Macro Alta Paulista: como a nova infraestrutura do PAC valoriza o profissional da ponta

Por: Fatima Christine e Humberto Tobé

Quem faz a saúde na Macro Alta Paulista: como a nova infraestrutura do PAC valoriza o profissional da ponta
Divulgação
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A região de Alta Paulista no oeste do estado de São Paulo, reúne municípios que se desenvolveram historicamente a partir da expansão ferroviária e agrícola pelo interior paulista e que hoje formam uma rede de cidades de pequeno e médio porte, tendo centros como Marília, Tupã, Adamantina e Dracena como importantes referências regionais.

A região tem em seu horizonte a expansão e modernização da infraestrutura do SUS, uma oportunidade de melhorar simultaneamente duas dimensões que não podem ser separadas: as condições de trabalho dos profissionais e a qualidade do atendimento recebido pela população. Uma UBS moderna, equipada e conectada, ou uma ambulância nova do SAMU não representa apenas patrimônio público. Para médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários e socorristas, significa dispor de condições concretas para trabalhar; para o cidadão, significa encontrar um SUS mais preparado para resolver suas necessidades. É na relação entre infraestrutura, profissionais e usuários que o investimento do Ministério da Saúde por meio do Novo PAC Saúde ganha seu verdadeiro sentido.

A tese, portanto, é que valorizar o trabalhador do SUS também significa oferecer infraestrutura adequada para que ele exerça sua função. Salário, formação e carreira são fundamentais, mas não bastam quando o cotidiano é marcado por equipamentos insuficientes, instalações inadequadas ou veículos envelhecidos. O Novo PAC Saúde pode atuar justamente sobre essa dimensão material do trabalho, modernizando o espaço no qual a política pública efetivamente acontece.

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É nesse ponto que o Novo PAC Saúde, coordenado pelo Ministério da Saúde, adquire importância também como política de valorização do trabalho. Na segunda etapa do PAC Seleções, foram anunciados R$ 6 bilhões para estruturar o SUS em todo o país. Somente em São Paulo, são R$ 652,2 milhões, destinados a 2.085 obras, veículos e equipamentos. O estado foi contemplado com 79 novas UBS, 1.003 combos de equipamentos para unidades básicas, 712 kits de teleconsulta, além de investimentos em saúde bucal, atenção especializada, saúde mental e atendimento de urgência.

A renovação do SAMU exemplifica bem essa relação. Em São Paulo, o Novo PAC prevê 64 ambulâncias para expansão da frota e outras 199 para renovação. Substituir um veículo antigo não beneficia apenas quem aguarda o socorro. Para as equipes, significa trabalhar com maior confiabilidade operacional, segurança e disponibilidade. Da mesma maneira, uma UBS equipada com ultrassom portátil, retinógrafo, espirômetro digital e estrutura para teleconsulta oferece aos profissionais mais instrumentos para diagnosticar, acompanhar e resolver demandas na própria Atenção Primária.

Para os gestores da Macro Alta Paulista, a lição é clara: infraestrutura e gestão de pessoas precisam caminhar juntas. Não basta entregar uma nova unidade sem equipes suficientes, assim como não é razoável cobrar excelência de profissionais obrigados a trabalhar sem os instrumentos necessários. As novas estruturas precisam vir acompanhadas de planejamento de pessoal, manutenção preventiva, capacitação e organização regional da rede.

No fim, quem transforma uma UBS, uma ambulância ou qualquer equipamento público em política de saúde são as pessoas que trabalham dentro deles. O Novo PAC oferece a oportunidade de melhorar o espaço e os instrumentos disponíveis; cabe à gestão garantir que esse investimento também se converta em melhores condições de trabalho. Valorizar quem cuida é uma das formas mais concretas de garantir que o investimento público chegue, com qualidade, a quem precisa ser cuidado.

Sobre os autores:

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Fatima Christine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional.

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