Com busca ativa nas unidades de Saúde da Família e um mês inteiro de ações no Outubro Rosa, o município da Mogiana leva prevenção a todos os bairros
Em muitas cidades brasileiras, a palavra mais associada à mamografia é "fila". Em Vargem Grande do Sul, na região da Mogiana, a prefeitura informa que não há espera nem para a mamografia nem para o Papanicolau. O resultado vem de uma rede de atenção primária espalhada pelos bairros, que não espera a mulher aparecer: vai atrás dela.
O preventivo é feito nas unidades básicas e de Saúde da Família, com hora marcada ou por procura espontânea, com atendimento imediato. As equipes também fazem busca ativa, chamando as mulheres que estão com o exame atrasado. A mamografia é pedida por médico ou enfermeiro e agendada pela Central de Regulação.
No Outubro Rosa de 2026, essa rede foi colocada para trabalhar em ritmo de campanha. No sábado, 3 de outubro, dez unidades abriram ao mesmo tempo, das 8h às 15h, incluindo o Centro de Atendimento à Mulher. Ao longo do mês, as unidades se revezaram em atendimentos no fim da tarde, das 17h às 19h, para alcançar quem trabalha durante o dia.
O pacote oferecido vai além do exame das mamas. As mulheres passam por avaliação de pressão arterial, glicemia, peso e saturação, coletam o Papanicolau e fazem testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. Esses testes, distribuídos pelo Ministério da Saúde à rede pública de todo o país, dão o resultado em poucos minutos e permitem iniciar o tratamento na hora, quando necessário.
O esforço tem razão de ser. O Instituto Nacional de Câncer estima 73.610 casos novos de câncer de mama por ano no Brasil. Em Vargem Grande do Sul, cerca de 40 mulheres faziam tratamento contra a doença pelo SUS no ano anterior. Cada diagnóstico feito cedo é um tratamento mais curto e uma chance maior de cura.
O SUS também vem ampliando o acesso em nível nacional. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde garante a mamografia para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, em decisão conjunta com o profissional de saúde, e o rastreamento de rotina foi estendido até os 74 anos. No colo do útero, o teste molecular de DNA-HPV está substituindo o Papanicolau como exame principal, com mais precisão e intervalos maiores entre os exames.
Para a Mogiana, o exemplo de Vargem Grande do Sul tem um recado claro. Fila zero não depende só de mais equipamentos, mas de organização: equipes que conhecem as mulheres do bairro, regulação que funciona e um sistema público que garante o exame de graça. Sem essa estrutura, a prevenção ficaria por conta de cada uma, e muitas só procurariam ajuda quando a doença já desse sinais.
Jornal Metropolitano SP