Indaiatuba, Monte Mor, Paulínia, Sumaré e Valinhos recebem, cada uma, uma ambulância tipo A do programa Caminhos da Saúde, uma das iniciativas do Agora Tem Especialistas. A ambulância tipo A transporta uma pessoa por vez, muitas vezes deitada, e é destinada a quem tem restrição de mobilidade significativa, como pacientes acamados, em recuperação de cirurgia ou que não conseguem se manter sentados por horas de viagem. Não é sobre distância, é sobre o tipo de cuidado que a pessoa precisa no caminho.
As cinco cidades desta lista, todas com mais de 60 mil habitantes e localizadas na Região Metropolitana de Campinas, receberam justamente esse modelo pois algumas cidades como Sumaré e Indaiatuba já contam com estrutura própria de transporte municipal para atender o volume de pacientes que se deslocam diariamente para consultas e exames. O que faltava, muitas vezes, era um veículo dedicado a quem não consegue simplesmente pegar uma van cheia de outros pacientes, seja por estar debilitado após uma cirurgia oncológica, seja por depender de suporte durante o trajeto.
Para uma família de Monte Mor ter esse tipo de transporte disponível significa não precisar improvisar, cuidar de um parente acamado que precisa de hemodiálise ou de acompanhamento pós-cirúrgico muitas vezes dependia de carro particular, de ambulância contratada por fora ou de esperar uma vaga na frota municipal já dividida entre várias necessidades e a ambulância tipo A resolve especificamente esse gargalo. Paulínia e Valinhos seguem a mesma lógica. Nenhuma das cinco cidades desta lista está isolada dos grandes centros de tratamento, mas o isolamento geográfico não é o único obstáculo que existe. Alguém com dificuldade extrema de locomoção enfrenta o mesmo problema morando a 20 km do hospital ou a 200, se não houver um veículo adequado ao seu estado de saúde.
O Ministério da Saúde dá autonomia para as cidades definirem trajetos e horários, mas a ambulância tem o intuito de buscar o paciente em casa quando ele não tem como se deslocar de outra forma, garantindo um transporte gratuito e confiável para toda a população brasileira. Para quem está enfrentando um tratamento longo e desgastante, não precisar resolver sozinho como chegar até a consulta é uma parte do cuidado que costuma passar despercebida, mas que pesa bastante no dia a dia de quem já está lidando com uma doença grave e das suas famílias.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Departamento de Atenção ao Câncer. Nota Técnica Conjunta nº 153/2026: critérios para a distribuição de veículos para o Transporte Sanitário Eletivo no âmbito do Novo PAC e do Programa Agora Tem Especialistas, Caminhos da Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caminhos da Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/agora-tem-especialistas/caminhos-da-saude .
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).
Jornal Metropolitano SP