A Prefeitura de Campinas reuniu, na quinta-feira, 10 de setembro, representantes de diferentes órgãos públicos, instituições de ensino e pesquisa e áreas estratégicas do município para a aplicação do Scorecard de Gestão de Risco de Calor Extremo, ferramenta desenvolvida pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR).
A atividade foi realizada na Sala de Resiliência de Campinas, localizado no Paço Municipal, e teve como objetivo avaliar a capacidade do município para prevenir, se preparar e responder aos impactos do calor extremo, identificando pontos fortes, lacunas e oportunidades de aprimoramento das ações públicas.
O Scorecard integra a iniciativa Construindo Cidades Resilientes 2030 e foi desenvolvido especificamente para apoiar governos locais na gestão do risco relacionado ao calor extremo. A ferramenta contempla 18 indicadores, abrangendo temas como governança, avaliação de riscos, planejamento urbano, infraestrutura, saúde, proteção social, preparação para emergências, comunicação e recuperação.
A atividade contou ainda com apresentações destinadas a contextualizar e subsidiar as discussões sobre o tema. Anne Dutra, coordenadora da Fiscalização de Alimentos, abordou os conceitos de Resiliência, Redução do Risco de Desastres (RRD) e a metodologia do Scorecard. Priscilla Pegoraro, assessora técnica do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) e responsável pela articulação intersetorial do departamento, apresentou a temática de Clima e Saúde, destacando a relação entre as mudanças climáticas, os eventos de calor extremo e seus impactos sobre a saúde da população.
Calor extremo é questão de saúde pública
O aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor vem ampliando os impactos sobre a saúde da população. Temperaturas elevadas podem agravar condições cardiovasculares e respiratórias, aumentar o risco de desidratação e outros agravos, além de afetar especialmente grupos mais vulneráveis.
No Brasil, estudo desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia estimou aproximadamente 120 mil mortes associadas às ondas de calor entre 2000 e 2019, além de apontar aumento do risco de internações por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais durante períodos de temperaturas extremas.
Segundo o coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, para Campinas, enfrentar o calor extremo exige uma abordagem que ultrapasse os limites de uma única política pública. “O calor extremo precisa ser compreendido como um risco que atravessa diferentes áreas da administração pública. A saúde sente os efeitos, mas a prevenção começa muito antes de uma pessoa chegar a um serviço de saúde. Ela envolve planejamento urbano, meio ambiente, Defesa Civil, assistência social, educação, infraestrutura, comunicação, monitoramento e, principalmente, integração entre essas áreas”, destaca Sidnei Furtado, Coordenador Regional da Defesa Civil.
Uma resposta que depende de toda a cidade
A reunião contou com a participação de representantes de diferentes áreas da Prefeitura e instituições parceiras, incluindo Saúde, Vigilância em Saúde, Assistência Social, Educação, Defesa Civil, áreas de desenvolvimento e planejamento, Sanasa, Serviços Públicos e instituições de pesquisa da Unicamp, entre outros participantes.
"A diversidade de setores envolvidos é uma das características fundamentais da metodologia. Segundo o UNDRR, o enfrentamento do calor extremo exige a participação de diferentes áreas, justamente porque o risco é sistêmico e seus efeitos ultrapassam o campo da saúde, envolvendo infraestrutura, recursos hídricos, energia, planejamento urbano, proteção social e gestão de emergências", destacou Furtado.
Da avaliação à ação
A aplicação do Scorecard representa mais uma etapa no processo de fortalecimento da capacidade de Campinas para lidar com os eventos climáticos extremos. A proposta é que a avaliação realizada pelos diferentes setores contribua para orientar prioridades, fortalecer a articulação entre políticas públicas e subsidiar futuras ações de prevenção, preparação e resposta.
Crédito: Divulgação
Atividade contou ainda com apresentações destinadas a contextualizar e subsidiar as discussões sobre o tema

Jornal Metropolitano SP
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