As chamadas canetas emagrecedoras poderão passar a integrar o tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. O tema ganhou destaque nesta quinta-feira, 17 de setembro, durante agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Montes Claros, Minas Gerais, onde visitaram o novo complexo industrial da Eurofarma.
Durante a visita, Padilha apresentou os primeiros resultados do trabalho conduzido pelo Ministério da Saúde para avaliar a incorporação desses medicamentos à rede pública. Segundo a pasta, a proposta é que a disponibilização aconteça de forma responsável, respaldada por estudos científicos e por um protocolo clínico que determine quais pacientes poderão receber o tratamento.
Para Humberto Tobé, gestor de saúde pública e membro da equipe do ministro Alexandre Padilha, a iniciativa representa uma possibilidade importante de ampliar as alternativas disponíveis no SUS para o enfrentamento da obesidade.
“A obesidade precisa ser tratada como uma questão de saúde pública e não apenas como uma questão estética. O que está sendo construído pelo Ministério da Saúde é justamente um caminho para garantir que essas novas tecnologias possam chegar a quem realmente precisa, com responsabilidade, segurança, indicação médica e acompanhamento adequado”, destaca Tobé.
O Ministério da Saúde informou que o Brasil já possui 14 medicamentos registrados voltados ao tratamento da obesidade dentro dessa categoria. O aumento da produção nacional também é apontado pela pasta como um dos fatores que podem contribuir para a ampliação do acesso e para a redução dos preços desses medicamentos.
Padilha também ressaltou que a futura incorporação das canetas não deve ser encarada como uma solução estética ou isolada. Entre os grupos atualmente avaliados estão pacientes com obesidade grave que aguardam cirurgia bariátrica, pessoas com obesidade associada a problemas cardiovasculares e outros perfis para os quais os medicamentos podem apresentar benefícios adicionais.
Um dos estudos em andamento é o Real-Bari, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. A pesquisa utiliza semaglutida em pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras condições de saúde. Ao todo, 250 pacientes deverão ser acompanhados.
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, o primeiro paciente participante do estudo estava na fila para cirurgia bariátrica e, após iniciar o tratamento, já apresentou perda de seis quilos e redução da circunferência corporal. O Ministério também acompanha mudanças nos hábitos de vida dos pacientes durante o processo.
Para Humberto Tobé, a discussão sobre os novos medicamentos precisa estar inserida em uma política de cuidado integral.
“Quando falamos em SUS, falamos de cuidado completo. O medicamento pode ser uma ferramenta importante, mas precisa caminhar junto com orientação profissional, acompanhamento médico, alimentação adequada, atividade física e mudanças de hábitos. O objetivo é melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas”, afirma.
O Ministério da Saúde trabalha agora na consolidação dos estudos e na elaboração do protocolo que deverá estabelecer os critérios para utilização desses medicamentos pelo SUS. A pasta afirma que pretende disponibilizar a tecnologia nacionalmente de forma responsável, priorizando os pacientes que efetivamente necessitem do tratamento.
Segundo Tobé, ampliar o acesso a novas tecnologias também reforça um dos princípios fundamentais da saúde pública brasileira.
“Quando uma inovação que antes estava restrita a uma parcela da população começa a ser estudada para chegar ao SUS, estamos falando de democratização do acesso à saúde. É esse olhar que permite transformar avanço científico em cuidado para a população brasileira”, finaliza.
Jornal Metropolitano SP