A região de Campinas tem forte tradição em pesquisa, universidades e tecnologia. O Ministério da Saúde aposta nessa vocação para fortalecer a atenção primária com o Brasil360, um modelo em que dados guiam o cuidado e o dinheiro federal acompanha os resultados.
O ponto de partida é a informação: O e-SUS APS, sistema gratuito feito pelo SUS, reúne prontuário eletrônico, coleta de dados e aplicativos móveis. A versão 5.4 traz listas de pacientes por condição de saúde, prescrição digital, videochamadas, gráficos de crescimento de crianças e de ganho de peso na gestação, além do envio dos marcos do desenvolvimento infantil para a Rede Nacional de Dados em Saúde. Com isso, a equipe vê quem precisa de atenção antes que o problema piore.
Os repasses também podem ser acompanhados. O novo Sistema de Informação para a Atenção Primária publica relatórios detalhados para a gestão e permite ver as transferências de recursos federais. Municípios que reuniram todas as categorias profissionais todo mês para discutir cada indicador melhoraram seus registros e passaram a acompanhar melhor quem mais precisa. O Ministério estimula esse método.
O financiamento tem três partes. A fixa considera a realidade do município. O vínculo mede o cadastro (30%) e o acompanhamento (70%) da população. Para valer como acompanhada, a pessoa precisa ter tido mais de um contato com profissional de saúde em 12 meses, e o cadastro precisa estar atualizado nos últimos 24 meses. A qualidade avalia indicadores como pré-natal, desenvolvimento infantil, diabetes, hipertensão, saúde do idoso e prevenção do câncer na mulher.
Há ainda a voz do usuário: O modelo inclui a satisfação de quem é atendido, medida pelo NPS, em que a pessoa dá uma nota de 0 a 10 para o serviço. Isso coloca a opinião do paciente na avaliação da equipe.
Na estrutura, o Novo PAC Saúde prevê 2.600 unidades básicas novas e 10 mil conjuntos de equipamentos em 5.126 municípios. Os conjuntos incluem ultrassom de bolso, retinógrafo, espirômetro e dermatoscópio digitais. Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, a referência agora é de 3 mil pessoas por equipe, e não mais 4 mil.
Para encaminhar a especialistas, o Ministério orienta que os serviços especializados trabalhem em conjunto com a atenção primária, compartilhem informações e definam protocolos de encaminhamento e alta. O Agora Tem Especialistas reforça essa articulação, e o Mais Médicos, com 26.756 profissionais ativos, ajuda a completar equipes.
Por que isso é muito bom para o povo? Porque uma equipe que enxerga seus dados cuida melhor. Quem tem pressão alta ou diabetes é chamado antes de passar mal. A gestante tem o pré-natal completo, e a criança é acompanhada nas consultas e vacinas. O paciente que precisa de especialista é encaminhado com histórico organizado. E, com o registro correto, o município recebe mais recurso, que volta em forma de mais atendimento na ponta.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).
Jornal Metropolitano SP